Fraqueza em MMII: Investigação de Mielopatia e Neuropatia

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 74 anos, com diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica e de diabetes mellitus tipo 2 há 25 anos, é trazida de instituição de longa permanência. Ela se queixa de fraqueza acentuada em membros inferiores observada há, pelo menos, 1 ano e que vem se agravando há 2 semanas. Relata não ter força para caminhar e nega febre. Ao exame físico, apresenta-se em estado geral regular, lúcida, orientada e hidratada. Identifica-se, em exame neurológico, força grau 3 em membros inferiores; tônus reduzido em panturrilhas bilateralmente; reflexos patelar e aquileu abolidos bilateralmente. Observa-se ausência de alterações da rima labial; teste do monofilamento alterado em ambos os pés; pulsos pediosos e tibiais posteriores reduzidos (2+/4+) bilateralmente.A partir dessas informações, qual é o exame complementar mais adequado para o caso?

Alternativas

  1. A) Radiografia de coluna lombo-sacra.
  2. B) Ressonância magnética de encéfalo.
  3. C) Ressonância magnética de coluna tóraco-lombar.
  4. D) Pesquisa de sensibilidade com o uso de biotesiômetro.

Pérola Clínica

Fraqueza MMII + reflexos abolidos + DM2 longa data + pulsos reduzidos → Investigar compressão medular (RM coluna) e neuropatia periférica.

Resumo-Chave

A fraqueza progressiva em membros inferiores com reflexos abolidos, em uma paciente idosa com DM2 de longa data, sugere tanto neuropatia periférica (comum no DM) quanto uma possível compressão medular. A ressonância magnética da coluna toracolombar é essencial para excluir uma causa compressiva tratável.

Contexto Educacional

A fraqueza em membros inferiores em pacientes idosos, especialmente com comorbidades como diabetes mellitus tipo 2 de longa data, é um desafio diagnóstico complexo. É crucial diferenciar entre causas neurológicas periféricas (neuropatia) e centrais (mielopatia), bem como outras condições musculoesqueléticas ou vasculares. A neuropatia diabética é uma complicação comum e pode explicar a alteração do teste do monofilamento e a redução dos pulsos, mas a fraqueza acentuada e os reflexos abolidos bilateralmente exigem uma investigação mais aprofundada. A presença de fraqueza grau 3 em membros inferiores e a abolição dos reflexos patelar e aquileu bilateralmente, embora possam ocorrer na neuropatia diabética avançada, também levantam a suspeita de uma mielopatia compressiva. A mielopatia pode ser causada por estenose do canal vertebral, hérnias discais, tumores ou outras lesões que comprimem a medula espinhal. Nesses casos, a intervenção precoce pode ser crucial para evitar danos neurológicos permanentes. A ressonância magnética da coluna toracolombar é o exame complementar mais adequado para investigar uma possível mielopatia compressiva. Ela oferece alta resolução para visualizar a medula espinhal, as raízes nervosas e as estruturas ósseas e ligamentares adjacentes, permitindo identificar lesões que podem estar causando a fraqueza. Excluir uma causa compressiva tratável é prioritário antes de atribuir todos os sintomas à neuropatia diabética.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para uma mielopatia compressiva em um paciente com neuropatia diabética?

Sinais como fraqueza assimétrica ou rapidamente progressiva, nível sensitivo, hiperreflexia (em contraste com a arreflexia da neuropatia periférica), ou disfunção esfincteriana devem levantar suspeita de mielopatia.

Por que a ressonância magnética da coluna é o exame mais adequado neste caso?

A RM da coluna toracolombar permite visualizar a medula espinhal e as estruturas adjacentes, detectando compressões por estenose do canal, hérnias discais, tumores ou outras lesões que possam causar mielopatia.

Como a neuropatia diabética se manifesta nos membros inferiores?

A polineuropatia diabética distal simétrica é a forma mais comum, causando perda de sensibilidade (dor, temperatura, tato, vibração), parestesias e, em casos avançados, fraqueza muscular e úlceras nos pés.

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