Mielopatia Cervical: Diagnóstico e Conduta na Compressão Medular

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 70 anos queixa-se de dor em queimação no pescoço e no braco esquerdo. Relata ainda urgência e esforço miccional, jato urinário reduzido, sensação de esvaziamento vesical incompleto após micção, além de dificuldade para deambular. Nega comorbidades ou uso de medicamentos. Ao exame físico, apresenta PA 120/70mmHg, FC 80bpm, FR 13irpm, SpO₂ em ar ambiente 97%. Encontra-se alerta, orientado, corado e anictérico. O exame dos membros superiores mostra fraqueza à flexão do cotovelo e à abdução do ombro esquerdos, com hiporreflexia bicipital ipsilateral. A força nos membros inferiores está reduzida de forma simétrica, observando-se bilateralmente espasticidade, hiperreflexia patelar e reflexo cutâneo-plantar extensor. Há perda da propriocepção. A marcha é espástica com passos altos e fortes. A propedêutica imediata MAIS INDICADA na investigação diagnóstica nesse caso é a:

Alternativas

  1. A) ressonância magnética da coluna cervical.
  2. B) ressonância magnética da coluna torácica.
  3. C) tomografia computadorizada da coluna lombar.
  4. D) tomografia computadorizada do crânio.

Pérola Clínica

LMN nos braços + UMN nas pernas + bexiga neurogênica = Mielopatia Cervical.

Resumo-Chave

A combinação de sinais de neurônio motor inferior nos membros superiores (hiporreflexia) e superior nos inferiores (hiperreflexia, Babinski) localiza a lesão na coluna cervical, exigindo RM imediata.

Contexto Educacional

A mielopatia cervical espondilótica é a causa mais comum de disfunção da medula espinhal em adultos acima de 55 anos. Decorre de alterações degenerativas que levam ao estreitamento do canal vertebral. O quadro clínico é insidioso, iniciando frequentemente com alterações da marcha e perda de destreza manual. A progressão para disfunção esfincteriana indica estágio avançado de compressão. O diagnóstico precoce é crucial, pois o tratamento cirúrgico (descompressão) visa primariamente interromper a progressão da doença, já que a recuperação de déficits neurológicos estabelecidos pode ser limitada. O sinal de Hoffmann e o sinal de Lhermitte são manobras propedêuticas importantes que auxiliam na suspeição clínica durante o exame físico.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a mielopatia cervical no exame físico?

A mielopatia cervical é caracterizada por uma síndrome mista. Nos membros superiores, ao nível da compressão, observam-se sinais de neurônio motor inferior (NMI), como fraqueza segmentar e hiporreflexia (neste caso, C5-C6 afetando o bíceps). Abaixo do nível da lesão, manifestam-se sinais de neurônio motor superior (NMS), incluindo espasticidade, hiperreflexia (patelar), sinal de Babinski (reflexo cutâneo-plantar extensor) e perda de propriocepção, além de alterações esfincterianas como urgência miccional.

Por que a RM é o exame de escolha neste caso?

A Ressonância Magnética (RM) da coluna cervical é o padrão-ouro porque oferece excelente resolução de tecidos moles, permitindo visualizar não apenas a compressão óssea ou discal, mas também o sofrimento medular (sinal de hipersinal em T2). Diferente da TC, a RM identifica com precisão a extensão da estenose do canal e a presença de mielomalácia, fundamentais para o planejamento cirúrgico.

Como diferenciar compressão cervical de lesão intracraniana?

Embora ambas possam causar sinais de NMS (hiperreflexia e espasticidade), a presença de sinais de NMI (hiporreflexia e atrofia) especificamente nos membros superiores, associada a dor cervical e ausência de déficits de nervos cranianos ou alterações de linguagem, aponta fortemente para uma etiologia na coluna cervical e não no encéfalo.

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