SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Paciente, sexo feminino, nascida há 12 horas, apresentou, durante ultrassonografia morfológica pré-natal, abaulamento em coluna vertebral lombar. Após o nascimento, foi identificada presença de protrusão sacular em região lombar medindo cerca de 10cm, coberta por membrana fina e avermelhada. A paciente também apresentava diminuição da mobilidade dos membros inferiores e retenção urinária.Indique a conduta cirúrgica mais adequada para essa paciente, caso não seja possível o fechamento primário do defeito cutâneo.
Mielomeningocele grande com defeito cutâneo extenso → reparo com retalho fasciocutâneo para cobertura adequada.
A mielomeningocele é um defeito grave do tubo neural. Em casos de grandes defeitos cutâneos onde o fechamento primário não é possível devido à tensão, a confecção de um retalho local fasciocutâneo é a conduta cirúrgica mais adequada para garantir uma cobertura segura, prevenir infecções e proteger o tecido neural exposto.
A mielomeningocele é uma malformação congênita grave, sendo a forma mais comum e severa dos defeitos de fechamento do tubo neural (DFTN). Sua incidência varia globalmente, mas é uma condição de grande impacto na saúde pública devido às sequelas neurológicas significativas, como paralisia, hidrocefalia e disfunção vesical e intestinal. O diagnóstico pré-natal é cada vez mais comum, permitindo o planejamento do parto e do tratamento. A fisiopatologia envolve o fechamento incompleto do tubo neural durante as primeiras semanas de gestação, resultando na exposição da medula espinhal e suas membranas. Clinicamente, apresenta-se como uma massa sacular na região lombar ou sacral, coberta por uma membrana fina e avermelhada, com déficits neurológicos abaixo do nível da lesão. A conduta cirúrgica é essencial e deve ser realizada precocemente, idealmente nas primeiras 24-72 horas de vida, para prevenir infecções e minimizar danos. O tratamento cirúrgico consiste no fechamento do defeito. Em casos de pequenos defeitos, o fechamento primário pode ser possível. No entanto, em lesões maiores, onde há grande perda de substância cutânea e risco de tensão excessiva, a confecção de retalhos locais (como o fasciocutâneo) é a técnica preferencial. Esses retalhos fornecem tecido com boa vascularização e volume adequado para cobrir o defeito de forma segura, protegendo o sistema nervoso central e otimizando o prognóstico funcional do paciente.
Mielomeningocele é a forma mais grave de espinha bífida aberta, caracterizada pela protrusão da medula espinhal e suas membranas através de um defeito na coluna vertebral, resultando em déficits neurológicos como paralisia dos membros inferiores e disfunção vesical/intestinal.
O fechamento cirúrgico precoce é crucial para prevenir infecções (meningite), proteger o tecido neural exposto de traumas e minimizar a progressão do dano neurológico.
Um retalho fasciocutâneo fornece uma cobertura mais robusta e vascularizada, com maior volume de tecido, o que é essencial para fechar grandes defeitos com tensão mínima e proteger estruturas neurais subjacentes, diferentemente de um enxerto de pele que é mais fino e menos vascularizado.
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