Mielomeningocele: Reparo Cirúrgico e Retalhos Cutâneos

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023

Enunciado

Paciente, sexo feminino, nascida há 12 horas, apresentou, durante ultrassonografia morfológica pré-natal, abaulamento em coluna vertebral lombar. Após o nascimento, foi identificada presença de protrusão sacular em região lombar medindo cerca de 10cm, coberta por membrana fina e avermelhada. A paciente também apresentava diminuição da mobilidade dos membros inferiores e retenção urinária.Indique a conduta cirúrgica mais adequada para essa paciente, caso não seja possível o fechamento primário do defeito cutâneo.

Alternativas

  1. A) Deixar a área fechar por segunda intenção.
  2. B) Realizar enxerto de pele total.
  3. C) Confeccionar retalho local fasciocutâneo.
  4. D) Realizar colocação de expansor tecidual.

Pérola Clínica

Mielomeningocele grande com defeito cutâneo extenso → reparo com retalho fasciocutâneo para cobertura adequada.

Resumo-Chave

A mielomeningocele é um defeito grave do tubo neural. Em casos de grandes defeitos cutâneos onde o fechamento primário não é possível devido à tensão, a confecção de um retalho local fasciocutâneo é a conduta cirúrgica mais adequada para garantir uma cobertura segura, prevenir infecções e proteger o tecido neural exposto.

Contexto Educacional

A mielomeningocele é uma malformação congênita grave, sendo a forma mais comum e severa dos defeitos de fechamento do tubo neural (DFTN). Sua incidência varia globalmente, mas é uma condição de grande impacto na saúde pública devido às sequelas neurológicas significativas, como paralisia, hidrocefalia e disfunção vesical e intestinal. O diagnóstico pré-natal é cada vez mais comum, permitindo o planejamento do parto e do tratamento. A fisiopatologia envolve o fechamento incompleto do tubo neural durante as primeiras semanas de gestação, resultando na exposição da medula espinhal e suas membranas. Clinicamente, apresenta-se como uma massa sacular na região lombar ou sacral, coberta por uma membrana fina e avermelhada, com déficits neurológicos abaixo do nível da lesão. A conduta cirúrgica é essencial e deve ser realizada precocemente, idealmente nas primeiras 24-72 horas de vida, para prevenir infecções e minimizar danos. O tratamento cirúrgico consiste no fechamento do defeito. Em casos de pequenos defeitos, o fechamento primário pode ser possível. No entanto, em lesões maiores, onde há grande perda de substância cutânea e risco de tensão excessiva, a confecção de retalhos locais (como o fasciocutâneo) é a técnica preferencial. Esses retalhos fornecem tecido com boa vascularização e volume adequado para cobrir o defeito de forma segura, protegendo o sistema nervoso central e otimizando o prognóstico funcional do paciente.

Perguntas Frequentes

O que é mielomeningocele e quais são suas principais manifestações?

Mielomeningocele é a forma mais grave de espinha bífida aberta, caracterizada pela protrusão da medula espinhal e suas membranas através de um defeito na coluna vertebral, resultando em déficits neurológicos como paralisia dos membros inferiores e disfunção vesical/intestinal.

Qual a importância do fechamento cirúrgico precoce da mielomeningocele?

O fechamento cirúrgico precoce é crucial para prevenir infecções (meningite), proteger o tecido neural exposto de traumas e minimizar a progressão do dano neurológico.

Por que um retalho fasciocutâneo é preferível a um enxerto de pele em grandes defeitos?

Um retalho fasciocutâneo fornece uma cobertura mais robusta e vascularizada, com maior volume de tecido, o que é essencial para fechar grandes defeitos com tensão mínima e proteger estruturas neurais subjacentes, diferentemente de um enxerto de pele que é mais fino e menos vascularizado.

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