Mieloma Múltiplo e Dor Lombar: Diagnóstico Diferencial

Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 57 anos de idade com histórico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e hipertensão arterial bem controlada com losartana 100 mg por dia,e que deixou de fumar há 2 anos após 50 anos de tabagismo (50 maços-ano), apresenta-se no ambulatório com uma queixa de dor lombar crônica persistente há 2 anos. Ele relata ter sofrido uma queda da própria altura durante o banho, que resultou em uma dor intensa e súbita, acompanhada por uma limitação significativa dos movimentos. Isso o levou a se afastar do trabalho por um período de 7 dias. Embora tenha retomado suas atividades laborais, continua a experimentar dor lombar constante que, por vezes, o acorda durante a noite. O paciente menciona ter buscado assistência em múltiplos prontos-socorros, onde recebeu apenas tratamento sintomático. Ele faz uso de anti-inflamatórios, que proporcionam algum alívio, mas não resolvem o quadro. Além disso, recorre ao tramadol esporadicamente. Embora relate ocasional tosse, foi sua significativa piora na dor lombar na última semana que o levou a procurar atendimento médico particular. Nesse atendimento particular, foram solicitados exames complementares, um de imagem e um laboratorial, cujos resultados estão apresentados abaixo.  Considerando o quadro clínico exposto bem como os exames complementares e seus diagnósticos diferenciais, julgue o item.O exame laboratorial clássico acima é eletroforese com típico componente monoclonal em região gama.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Dor lombar noturna + perda de peso + anemia → Investigar Mieloma Múltiplo ou Metástases.

Resumo-Chave

A dor lombar com 'red flags' (idade > 50, dor noturna, trauma) exige investigação de causas secundárias como neoplasias. No Mieloma Múltiplo, a eletroforese de proteínas é chave, mas o diagnóstico diferencial com metástases de tumores sólidos (como pulmão) é essencial.

Contexto Educacional

O manejo da dor lombar crônica em pacientes com histórico de tabagismo pesado e idade avançada exige uma abordagem sistemática para excluir malignidade. O Mieloma Múltiplo é caracterizado pela tríade de plasmocitose medular, proteína monoclonal e lesões de órgão-alvo (CRAB: Cálcio elevado, Renal, Anemia, Bone/Osso). A eletroforese de proteínas séricas (EPS) é o teste de triagem inicial. Em cerca de 80% dos pacientes com MM, observa-se um pico monoclonal na região gama. Contudo, o diagnóstico diferencial deve incluir metástases ósseas de tumores sólidos (próstata, pulmão, mama), que frequentemente causam lesões blásticas ou líticas e não apresentam pico monoclonal na EPS.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais 'red flags' para dor lombar?

Os sinais de alerta incluem idade superior a 50 anos, histórico de neoplasia, perda ponderal inexplicada, dor que piora ao repouso ou acorda o paciente à noite, febre, uso de corticoides e déficit neurológico focal. No caso clínico, o paciente apresenta dor noturna e trauma de baixa energia, o que obriga a investigação de fraturas patológicas ou infiltração neoplásica da medula óssea.

Como interpretar o pico monoclonal na eletroforese?

O componente monoclonal (proteína M) aparece como uma banda estreita e densa, geralmente na região de gamaglobulinas (ou beta). Ele representa a proliferação de um único clone de plasmócitos. No entanto, nem toda gamaglobulina elevada é monoclonal; processos inflamatórios crônicos podem causar aumento policlonal. A imunofixação é necessária para confirmar a clonalidade e o tipo de cadeia pesada/leve.

Por que o gabarito da questão é 'Errado'?

Embora o Mieloma Múltiplo seja um diferencial forte, a questão afirma que o exame 'clássico acima' é a eletroforese com componente monoclonal. Sem a imagem ou descrição laboratorial confirmando o pico, e considerando que o paciente é um ex-tabagista pesado (50 maços-ano), o quadro pode representar metástase de câncer de pulmão, onde a eletroforese seria normal ou inespecífica.

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