UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020
Homem de 65 anos, diagnóstico prévio de insuficiência cardíaca congestiva (fração de ejeção: 35%), internada devido perda de peso (10 kg/6 meses), anemia e dor lombar. Apresenta os seguintes exames: Hb: 8g/dL, hematócrito: 24 %, Cr: 3 mg/dL, Ur: 100 mg/dL, AST: 45 U/L, ALT: 38 U/L. À radiografia de coluna lombar: osteopenia difusa e fraturas parciais de L3 e L4 por encunhamento. Após 3 dias de internação, teve dor abdominal importante e anúria, laboratório com cálcio total: 17 mg/dL e albumina: 3,2 g/dL. Sobre o caso clínico, assinale a alternativa CORRETA:
Mieloma Múltiplo: Anemia + Lesões ósseas líticas/osteopenia + Insuficiência renal + Hipercalcemia = Investigar discrasia plasmocitária.
O quadro clínico de anemia, perda de peso, dor lombar com fraturas, insuficiência renal e hipercalcemia grave em idoso é altamente sugestivo de Mieloma Múltiplo. A investigação diagnóstica envolve a pesquisa de proteína monoclonal (eletroforese de proteínas séricas e urinárias) e avaliação da medula óssea (mielograma e biópsia).
O Mieloma Múltiplo é uma neoplasia de plasmócitos que se acumulam na medula óssea, produzindo uma imunoglobulina monoclonal. É mais comum em idosos e se manifesta com a tríade clássica de anemia, lesões ósseas (líticas, osteopenia, fraturas patológicas) e insuficiência renal, frequentemente acompanhada de hipercalcemia. A compreensão desses sinais é fundamental para o diagnóstico precoce e manejo adequado, impactando diretamente o prognóstico do paciente. A fisiopatologia envolve a proliferação descontrolada de plasmócitos que secretam citocinas, como IL-6, que ativam osteoclastos e inibem osteoblastos, levando à destruição óssea. A proteína monoclonal pode causar dano renal (nefropatia por cilindros de cadeias leves). O diagnóstico requer a demonstração de plasmócitos clonais na medula óssea, proteína monoclonal e evidência de dano orgânico relacionado (CRAB: Hipercalcemia, Insuficiência Renal, Anemia, Lesões Ósseas). O tratamento do Mieloma Múltiplo evoluiu significativamente, incluindo quimioterapia, imunomoduladores, inibidores de proteassoma e transplante autólogo de células-tronco. O manejo das complicações, como a hipercalcemia grave, é uma emergência médica que exige intervenção rápida para evitar danos orgânicos irreversíveis e melhorar a qualidade de vida do paciente. Residentes devem dominar a sequência de investigação e tratamento dessas condições.
A suspeita de Mieloma Múltiplo surge em pacientes com anemia inexplicada, dor óssea com lesões líticas ou osteopenia, insuficiência renal, hipercalcemia e presença de proteína monoclonal sérica ou urinária. A idade avançada é um fator de risco importante.
A hipercalcemia grave no Mieloma Múltiplo requer hidratação vigorosa com solução salina isotônica, seguida de diuréticos de alça (após reidratação) e bifosfonatos para inibir a reabsorção óssea. Em casos refratários, calcitonina ou diálise podem ser necessárias.
A eletroforese de proteínas séricas e urinárias é crucial para identificar a presença de uma proteína monoclonal (componente M), que é a marca da discrasia plasmocitária. A imunofixação é usada para caracterizar o tipo de imunoglobulina envolvida.
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