Mieloma Múltiplo: Diagnóstico e Manejo das Complicações Ósseas

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 65 anos de idade compareceu ao hospital com queixas de dor óssea generalizada, fadiga e perda de peso. Exames laboratoriais mostraram anemia, creatinina sérica elevada, cálcio sérico de 11,2 mg/dL e proteína monoclonal detectada na eletroforese de proteínas séricas. A biópsia de medula óssea revelou 30% de plasmócitos. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta, em relação ao diagnóstico e ao manejo do mieloma múltiplo.

Alternativas

  1. A) O uso de bisfosfonatos é indicado para pacientes com hipercalcemia ou lesões ósseas, pois ajuda a reduzir o risco de fraturas patológicas e progressão da doença óssea.
  2. B) O achado de lesões osteolíticas é suficiente para confirmar o diagnóstico de mieloma múltiplo, mesmo na ausência de outras alterações laboratoriais.
  3. C) O tratamento com bortezomibe é contraindicado para pacientes com insuficiência renal aguda, devido ao risco de piora da função renal.
  4. D) A presença de 30% de plasmócitos na medula óssea é suficiente para diagnosticar mieloma múltiplo sintomático, independentemente de outras manifestações clínicas.
  5. E) Em pacientes com mieloma múltiplo, a presença de anemia correlaciona‑se com a produção de proteínas monoclonais, que aumentam a produção de eritropoietina.

Pérola Clínica

Mieloma Múltiplo: Bisfosfonatos → hipercalcemia/lesões ósseas para ↓ fraturas e progressão da doença óssea.

Resumo-Chave

Bisfosfonatos são cruciais no manejo do mieloma múltiplo, especialmente em pacientes com hipercalcemia ou doença óssea, pois inibem a reabsorção óssea mediada pelos osteoclastos, reduzindo o risco de fraturas patológicas e dor. Eles não tratam a doença de base, mas suas complicações esqueléticas.

Contexto Educacional

O mieloma múltiplo é uma neoplasia de plasmócitos que se acumulam na medula óssea, produzindo uma proteína monoclonal e causando disfunção orgânica. É a segunda neoplasia hematológica mais comum, afetando predominantemente idosos. Sua importância clínica reside na morbidade significativa associada às complicações, como dor óssea, fraturas, insuficiência renal, hipercalcemia e anemia. A fisiopatologia envolve a proliferação descontrolada de plasmócitos que interagem com o microambiente da medula óssea, levando à ativação osteoclástica e inibição osteoblástica, resultando em lesões osteolíticas. O diagnóstico requer a presença de plasmócitos clonais na medula óssea (≥ 10% ou plasmocitoma) e/ou biomarcadores de malignidade, além de evidência de dano orgânico relacionado (critérios CRAB). A suspeita deve surgir em pacientes idosos com dor óssea, fadiga, anemia inexplicada ou hipercalcemia. O tratamento do mieloma múltiplo é complexo e geralmente envolve quimioterapia combinada, imunomoduladores e inibidores de proteassoma. O manejo das complicações é crucial; bisfosfonatos são essenciais para a doença óssea, reduzindo fraturas e dor. O prognóstico varia amplamente, mas avanços terapêuticos têm melhorado a sobrevida. Pontos de atenção incluem a monitorização da função renal e o manejo da dor.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para mieloma múltiplo sintomático?

Os critérios incluem plasmócitos clonais na medula óssea ≥ 10% ou plasmocitoma, e evidência de dano orgânico relacionado ao mieloma (CRAB: hipercalcemia, insuficiência renal, anemia, lesões ósseas).

Qual o papel dos bisfosfonatos no tratamento do mieloma múltiplo?

Bisfosfonatos são usados para prevenir e tratar complicações esqueléticas, como fraturas patológicas e hipercalcemia, inibindo a atividade osteoclástica e a reabsorção óssea.

Como diferenciar mieloma múltiplo de gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI)?

A GMSI é assintomática, com plasmócitos clonais < 10% e ausência de critérios CRAB, enquanto o mieloma múltiplo apresenta dano orgânico e maior carga tumoral.

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