UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
M.J.S, 54 anos, pardo, há 5 meses queixa-se de dor no ombro, cuja avaliação por imagem revela tratar-se de lesão lítica. Em seus exames, a função renal é normal, não há anemia, a dosagem de cálcio é normal contudo, na eletroforese de proteínas nota-se a presença de uma proteína monoclonal em região de gamaglobulinas, cuja dosagem é de 6,9 g/dL. Em relação ao caso descrito acima, assinale a alternativa correta:
Proteína monoclonal > 3g/dL + lesão lítica → Diagnóstico de Mieloma Múltiplo e indicação de tratamento.
O diagnóstico de Mieloma Múltiplo baseia-se na presença de proteína monoclonal e evidência de dano orgânico (CRAB). Uma lesão lítica isolada com componente M elevado já justifica o início da terapia sistêmica.
O Mieloma Múltiplo é uma neoplasia de plasmócitos que secretam imunoglobulinas monoclonais. A fisiopatologia envolve a infiltração da medula óssea e a ativação de osteoclastos, gerando as clássicas lesões líticas 'em saca-bocado'. O reconhecimento precoce através da eletroforese de proteínas e exames de imagem (como TC de baixa dose ou RM) é crucial para evitar complicações irreversíveis como insuficiência renal e colapso vertebral. Historicamente, aguardava-se a progressão sintomática, mas as diretrizes atuais do International Myeloma Working Group (IMWG) enfatizam o tratamento precoce em pacientes com biomarcadores de malignidade, mesmo na ausência de sintomas CRAB clássicos, para melhorar a sobrevida global e a qualidade de vida.
O diagnóstico requer a presença de plasmócitos clonais na medula óssea ≥ 10% ou plasmocitoma extramedular comprovado por biópsia, associado a um ou mais eventos definidores de mieloma (critérios CRAB: hipercalcemia, insuficiência renal, anemia ou lesões ósseas líticas) ou biomarcadores de malignidade (SLiM: plasmócitos ≥ 60%, relação de cadeias leves envolvidas/não envolvidas ≥ 100 ou > 1 lesão focal na RM).
A proteína monoclonal (componente M), detectada na eletroforese de proteínas, é um marcador fundamental da proliferação de um clone de plasmócitos. Valores acima de 3,0 g/dL são altamente sugestivos de Mieloma Múltiplo em vez de Gamopatia Monoclonal de Significado Indeterminado (MGUS), especialmente quando associados a sintomas clínicos ou danos em órgãos-alvo.
O tratamento deve ser iniciado assim que o paciente apresentar critérios diagnósticos de Mieloma Múltiplo ativo, ou seja, evidência de dano em órgãos-alvo (CRAB) ou biomarcadores de alto risco de progressão (SLiM). No caso de lesões líticas confirmadas, mesmo que únicas, a terapia sistêmica é mandatória para evitar fraturas patológicas e progressão da doença.
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