Mieloma Múltiplo: Diagnóstico e Achados Laboratoriais Chave

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 68 anos, procura atendimento de saúde e relata história de lombalgia progressiva iniciada há nove meses, que piora com o movimento e melhora parcialmente com o uso de analgésicos comuns. Paciente nega febre, emagrecimento ou história de quedas. Ao exame físico está hipocorada, sem linfadenopatia ou visceromegalias. Os exames laboratoriais mostram hemoglobina = 8,5g/dL, leucócitos = 9.200/mm³, diferencial normal, plaquetas = 340.000/mm³, glicemia = 90mg/dL, creatinina = 0,9mg/dL, proteína total = 8,5g/dL, albumina = 3,5g/dL, cálcio = 11,5mg/dL, fosfatase alcalina = 300UI/L, fósforo = 2,5mg/dL e dosagem do PTH próxima de zero. Nesse caso, a descrição clínica compatível com o diagnóstico mais provável é que as:

Alternativas

  1. A) lesões líticas são mais bem vistas na ressonância magnética (RM) e podem causar glicosúria e aminoacidúria.
  2. B) infecções bacterianas urinárias são as formas mais comuns e a eletroforese apresenta pico policlonal.
  3. C) infecções fúngicas pulmonares são as formas mais comuns e a eletroforese apresenta pico monoclonal.
  4. D) lesões líticas são mais bem vistas na cintigrafia óssea e podem causar anemia e hipercalcemia.

Pérola Clínica

Mieloma Múltiplo: Hipercalcemia + Anemia + Lesões ósseas líticas + Proteína total ↑ com albumina normal + PTH ↓.

Resumo-Chave

A suspeita de Mieloma Múltiplo surge em idosos com dor óssea, anemia, hipercalcemia e disfunção renal. A hipercalcemia é tipicamente não mediada por PTH, e as lesões ósseas líticas são melhor avaliadas por RM ou PET-CT, não cintilografia óssea, que detecta atividade osteoblástica.

Contexto Educacional

O Mieloma Múltiplo é uma neoplasia de plasmócitos que acomete principalmente idosos, com uma incidência crescente. É a segunda neoplasia hematológica mais comum e sua compreensão é vital para o residente, dada a complexidade de seu diagnóstico e manejo. A apresentação clínica é variada, mas a tríade de dor óssea, anemia e insuficiência renal deve sempre levantar a suspeita. A identificação precoce é crucial para o prognóstico do paciente. A fisiopatologia envolve a proliferação clonal de plasmócitos na medula óssea, que produzem imunoglobulinas monoclonais e citocinas que levam à destruição óssea (lesões líticas), supressão da hematopoiese normal (anemia, leucopenia, plaquetopenia) e disfunção renal (nefropatia por cilindros de cadeias leves). O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, laboratoriais (eletroforese e imunofixação de proteínas séricas e urinárias, dosagem de cadeias leves livres) e biópsia de medula óssea. A hipercalcemia, quando presente, é tipicamente PTH-independente. O tratamento do Mieloma Múltiplo evoluiu significativamente, incluindo quimioterapia, imunomoduladores, inibidores de proteassoma e, em casos selecionados, transplante autólogo de células-tronco. O manejo das complicações, como dor óssea, hipercalcemia e insuficiência renal, é parte integrante da conduta. A monitorização contínua e a avaliação da resposta ao tratamento são essenciais para otimizar os resultados e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Mieloma Múltiplo?

Os principais critérios diagnósticos para Mieloma Múltiplo são os critérios CRAB: Hipercalcemia, Insuficiência Renal, Anemia e Lesões Ósseas (Bone lesions). Além disso, a presença de mais de 10% de plasmócitos clonais na medula óssea ou plasmocitoma extramedular é fundamental.

Por que a hipercalcemia no Mieloma Múltiplo cursa com PTH baixo?

A hipercalcemia no Mieloma Múltiplo é geralmente causada pela reabsorção óssea mediada por citocinas liberadas pelas células do mieloma, como IL-6 e RANKL, que ativam os osteoclastos. Como não é mediada pelo PTH, os níveis de PTH são suprimidos em resposta à hipercalcemia.

Qual o papel da ressonância magnética na avaliação das lesões ósseas do Mieloma Múltiplo?

A ressonância magnética (RM) é superior à radiografia simples e à cintilografia óssea para detectar lesões líticas e infiltração medular no Mieloma Múltiplo, especialmente em áreas como a coluna vertebral e pelve, sendo crucial para estadiamento e avaliação de dor óssea.

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