Mieloma Múltiplo: Diagnóstico e Papel das Cadeias Leves

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023

Enunciado

A maioria dos casos de Mieloma Múltiplo (MM) cursa com produção de proteína monoclonal pelos plasmócitos malignos (imunoglobulina, cadeia leve kappa ou cadeia leve lambda), detectável no soro ou na urina. Sobre o Mieloma Múltiplo (MM), assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A pesquisa de cadeias leves livres monoclonais séricas (FLC) deve ser feita ao diagnóstico e possuem valor prognóstico para as diversas formas de neoplasia de células plasmáticas.
  2. B) No diagnóstico de MM, os plasmócitos monoclonais devem representar pelo menos mais de 20% das células nucleadas da medula óssea.
  3. C) No MM, o citoplasma de plasmócitos monoclonais contém ambas as cadeias leves kappa e lambda; a relação kappa / lambda normal na medula óssea é de 2:1.
  4. D) Métodos diagnósticos de imagem funcional, como TC com emissão de pósitrons (PETCR), cintilografia óssea com 99-tecnécio ou cintilografia corporal com 99m-sestamibi (MIBI), são recomendados para uso rotineiro no planejamento terapêutico de doentes com MM.

Pérola Clínica

FLC sérico (Freelite) → essencial no diagnóstico e valor prognóstico no Mieloma Múltiplo.

Resumo-Chave

O Mieloma Múltiplo exige a identificação de clonalidade plasmocitária. O ensaio de cadeias leves livres (FLC) é superior à urina de 24h em sensibilidade e fornece dados prognósticos robustos.

Contexto Educacional

O Mieloma Múltiplo é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação maligna de plasmócitos na medula óssea, resultando na produção de uma proteína monoclonal (Componente M). O diagnóstico evoluiu significativamente com a inclusão de biomarcadores de alta sensibilidade, como o ensaio de cadeias leves livres (FLC), que permite identificar pacientes com maior risco de progressão orgânica antes mesmo do surgimento de lesões CRAB (Cálcio, Renal, Anemia, Bone). A avaliação da medula óssea via mielograma ou biópsia permanece fundamental para quantificar a infiltração plasmocitária. É crucial diferenciar o MM do MGUS (Gamopatia Monoclonal de Significado Indeterminado) e do Mieloma Smoldering, onde a conduta inicial é frequentemente a observação. O uso de métodos de imagem avançados, como a TC de baixa dose, substituiu o antigo 'inventário ósseo' radiológico devido à maior sensibilidade para detecção precoce de lesões líticas.

Perguntas Frequentes

Qual a porcentagem de plasmócitos para diagnóstico de MM?

Segundo os critérios do International Myeloma Working Group (IMWG), o diagnóstico de Mieloma Múltiplo requer a presença de ≥10% de plasmócitos clonais na medula óssea ou plasmocitoma extramedular comprovado por biópsia, associado a um ou mais eventos definidores de mieloma (CRAB ou biomarcadores de malignidade).

Por que a cintilografia óssea não é indicada no MM?

A cintilografia óssea com tecnécio depende da atividade osteoblástica para detecção. No Mieloma Múltiplo, as lesões são predominantemente osteolíticas (destruição óssea sem neoformação), o que resulta em alta taxa de falsos-negativos. O padrão-ouro atual envolve TC de baixa dose de corpo inteiro ou Ressonância Magnética.

O que é a relação Kappa/Lambda no Mieloma?

Em indivíduos saudáveis, a relação entre as cadeias leves kappa e lambda é equilibrada. No MM, a proliferação de um clone único de plasmócitos produz apenas um tipo de cadeia, causando uma alteração drástica nessa relação (ratio), que é um marcador sensível de clonalidade e atividade de doença.

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