SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Paciente, 72 anos, sexo masculino, comparece ao ambulatório de Clínica Médica com queixa de dores ósseas difusas, particularmente na coluna. Ao exame físico, apresenta-se algo hipocorado e com fácies de dor. Traz alguns exames laboratoriais: Hemoglobina 11,2g/dl (VR: 13-16 g/dl) Cálcio iônico 1,5mmol/L (VR: 1,15-1,32mmol/L) Creatinina 1,6mg/dl (VR: 0,8-1,2mg/dl) Fosfatase alcalina 64U/L (VR: 50-200U/L), além de radiografias da coluna evidenciando lesões osteolíticas difusas. LEGENDA: VR: valor de referência. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual dos exames a seguir deve ser solicitado?
Mieloma Múltiplo: Anemia + Hipercalcemia + Insuficiência Renal + Lesões Osteolíticas → Eletroforese de proteínas séricas.
A tríade de anemia, hipercalcemia e lesões osteolíticas em um paciente idoso é altamente sugestiva de mieloma múltiplo. A fosfatase alcalina normal, apesar das lesões ósseas, é um achado típico, pois as lesões são predominantemente líticas, sem grande atividade osteoblástica. A eletroforese de proteínas séricas é crucial para detectar a proteína monoclonal.
O Mieloma Múltiplo é uma neoplasia de plasmócitos que se caracteriza pela proliferação clonal de plasmócitos na medula óssea, produzindo uma imunoglobulina monoclonal (proteína M). É mais comum em idosos e sua apresentação clínica clássica envolve os critérios CRAB: Hipercalcemia, Insuficiência Renal, Anemia e Lesões Ósseas (osteolíticas). A suspeita diagnóstica surge com a presença de um ou mais critérios CRAB. A anemia é normocítica e normocrômica, a hipercalcemia é resultado da reabsorção óssea e a insuficiência renal pode ser causada pela hipercalcemia, pela deposição de cadeias leves nos túbulos renais ou por amiloidose. As lesões osteolíticas são típicas e podem levar a dores ósseas e fraturas patológicas, sendo a fosfatase alcalina geralmente normal, ao contrário das metástases ósseas que frequentemente elevam a FA. O diagnóstico definitivo requer a detecção da proteína M na eletroforese de proteínas séricas e/ou urinárias, a presença de plasmócitos clonais na medula óssea (>10%) e a evidência de lesão de órgão-alvo. Exames complementares como a dosagem de cadeias leves livres séricas e exames de imagem (radiografias, TC, RM ou PET-CT) são essenciais para estadiamento e avaliação da extensão da doença.
Os principais sinais e sintomas do Mieloma Múltiplo são os critérios CRAB: Hipercalcemia, Insuficiência Renal, Anemia e Lesões Ósseas (osteolíticas), que podem causar dores e fraturas patológicas.
A eletroforese de proteínas séricas é fundamental porque detecta a presença de uma proteína monoclonal (proteína M), que é a marca da proliferação clonal de plasmócitos no Mieloma Múltiplo.
A diferenciação envolve a presença de gamopatia monoclonal na eletroforese e a fosfatase alcalina geralmente normal no Mieloma Múltiplo, enquanto metástases ósseas frequentemente elevam a FA e não apresentam proteína M.
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