Mieloma Múltiplo: Reconhecendo a Acidose Tubular Renal Tipo 2

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Vários fatores contribuem para a lesão renal do portador de mieloma múltiplo, cuja ocorrência é em torno de 25% a 50% dos pacientes. Se o paciente com essa gamopatia monoclonal começa a apresentar no exame de urina: glicosúria, aminoacidúria, bicarbonatúria e dificuldade na concentração urinária, a principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Hipercalcemia;
  2. B) Hiperuricemia;
  3. C) Acidose tubular renal tipo 2;
  4. D) Necrose tubular aguda por cadeias leves;
  5. E) Nefropatia por urato;

Pérola Clínica

Mieloma múltiplo + glicosúria, aminoacidúria, bicarbonatúria, dificuldade concentração urinária → Acidose Tubular Renal tipo 2.

Resumo-Chave

A Acidose Tubular Renal tipo 2 (proximal) no mieloma múltiplo é causada pela toxicidade das cadeias leves monoclonais nos túbulos proximais, levando à perda de substâncias como glicose, aminoácidos e bicarbonato na urina, além de comprometer a capacidade de concentração urinária.

Contexto Educacional

O mieloma múltiplo é uma neoplasia de plasmócitos que afeta a medula óssea e pode causar diversas complicações, sendo a lesão renal uma das mais frequentes, ocorrendo em 25-50% dos pacientes. A patogênese da lesão renal é multifatorial, incluindo a nefropatia por cadeias leves (rim de mieloma), hipercalcemia, hiperuricemia, amiloidose e, menos comumente, a acidose tubular renal. A Acidose Tubular Renal (ATR) tipo 2, ou proximal, é caracterizada por uma disfunção na reabsorção de bicarbonato e outras substâncias no túbulo proximal. No contexto do mieloma múltiplo, as cadeias leves monoclonais (proteínas de Bence Jones) são filtradas em excesso e se tornam tóxicas para as células do túbulo proximal, comprometendo sua função. Isso leva à perda urinária de glicose (com glicemia normal), aminoácidos, fosfato e bicarbonato, resultando em acidose metabólica hiperclorêmica e, por vezes, osteomalácia. O diagnóstico da ATR tipo 2 é feito pela presença de acidose metabólica com ânion gap normal, pH urinário > 5.5 em vigência de acidose sistêmica, e a detecção de glicosúria e aminoacidúria. O tratamento envolve a correção da acidose com bicarbonato oral e o tratamento da doença de base (mieloma múltiplo) para reduzir a produção de cadeias leves. O prognóstico renal depende da extensão da lesão tubular e da resposta ao tratamento do mieloma.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Acidose Tubular Renal tipo 2?

Os sinais incluem glicosúria (com glicemia normal), aminoacidúria, bicarbonatúria e fosfatúria, resultando em acidose metabólica hiperclorêmica e osteomalácia. A dificuldade na concentração urinária também é comum.

Como o mieloma múltiplo causa Acidose Tubular Renal tipo 2?

No mieloma múltiplo, as cadeias leves monoclonais são filtradas e reabsorvidas pelos túbulos proximais, onde se tornam tóxicas, causando disfunção e lesão das células tubulares, levando à ATR tipo 2.

Qual a diferença entre Acidose Tubular Renal tipo 2 e necrose tubular aguda por cadeias leves?

A ATR tipo 2 é uma disfunção tubular proximal que causa perdas específicas na urina e acidose. A necrose tubular aguda por cadeias leves (rim de mieloma) é uma causa de insuficiência renal aguda por obstrução tubular e toxicidade direta, manifestando-se com elevação da creatinina.

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