Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2024
Criança de 6 anos e internada com história de febre há 30 dias, emagrecimento, dor óssea em membros com piora progressiva e dor articular. O exame físico revela mucosas descoradas, palidez cutânea acentuada e discreta hepatoesplenomegalia. O hemograma revela pancitopenia. Qual dos exames abaixo deve ser priorizado para elucidação do diagnóstico.
Febre prolongada + dor óssea + hepatoesplenomegalia + pancitopenia em criança → Mielograma urgente para investigação medular.
A pancitopenia associada a sintomas sistêmicos como febre prolongada, emagrecimento e dor óssea em crianças é um forte indicativo de doença medular, sendo o mielograma o exame prioritário para elucidação diagnóstica de leucemias ou outras discrasias sanguíneas.
A pancitopenia em crianças, caracterizada pela redução das três linhagens celulares do sangue (glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas), é um achado laboratorial que sempre exige investigação aprofundada. Sua ocorrência, especialmente quando acompanhada de sintomas sistêmicos como febre prolongada, emagrecimento, dor óssea e hepatoesplenomegalia, eleva a suspeita de doenças graves da medula óssea, como as leucemias agudas. A epidemiologia das leucemias infantis as coloca como as neoplasias mais comuns na faixa etária pediátrica, tornando o diagnóstico precoce crucial para o prognóstico. A fisiopatologia da pancitopenia em doenças medulares malignas envolve a proliferação descontrolada de células anormais na medula, que suprimem a produção das células sanguíneas normais. Diante de um quadro clínico sugestivo, o mielograma (aspirado e biópsia de medula óssea) é o exame diagnóstico de escolha. Ele permite a avaliação morfológica, imunofenotípica, citogenética e molecular das células medulares, sendo fundamental para a confirmação diagnóstica, classificação da doença e direcionamento terapêutico. O tratamento e o prognóstico dependem do diagnóstico específico. No caso de leucemias, o tratamento é complexo e envolve quimioterapia, podendo incluir radioterapia e transplante de medula óssea. É vital que o residente saiba priorizar o mielograma em situações de pancitopenia com sinais de alarme, evitando atrasos diagnósticos que impactam diretamente a sobrevida e a qualidade de vida do paciente pediátrico.
Sinais de alerta incluem febre prolongada, palidez, sangramentos, dor óssea ou articular, emagrecimento, e aumento de gânglios, fígado ou baço.
O mielograma permite a análise direta das células da medula óssea, identificando a presença de blastos (células imaturas) e outras alterações morfológicas e citogenéticas que confirmam o diagnóstico de leucemia ou outras doenças medulares.
Os diferenciais incluem leucemias, anemia aplástica, síndromes mielodisplásicas, infecções virais (ex: parvovírus, EBV), doenças autoimunes e deficiências nutricionais graves.
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