Mielite Transversa Aguda: Diagnóstico e Exames Essenciais

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 32 anos, sexo feminino, refere: há dez dias – formigamentos em pernas, que ascenderam, chegando ao nível do umbigo; há cinco dias – dificuldade para deambular por fraqueza em membros inferiores; há um dia – piora, com quedas. Associadamente, passou a ter dificuldade de urinar. No Pronto-Socorro foi constatado bexigoma, tendo sido necessária sondagem vesical de alívio. Ao exame clínico, observa-se paraparesia crural, com sinal de Babinski, reflexos exaltados em membros inferiores e presença de nível sensitivo denso na altura do umbigo. Qual o diagnóstico provável e qual exame complementar deve ser solicitado na emergência?

Alternativas

  1. A) Neuroesquistossomose; ressonância magnética de coluna lombo-sacra. 
  2. B) Degeneração combinada subaguda da medula (mielinose funicular); dosagem sérica de vitamina B12. 
  3. C) Síndrome de Guillain-Barré; exame do líquor.
  4. D) Mielite transversa; ressonância magnética de coluna torácica. 

Pérola Clínica

Fraqueza ascendente + nível sensitivo + disfunção esfincteriana + Babinski/reflexos exaltados → Mielite transversa. RM medula torácica.

Resumo-Chave

A mielite transversa aguda é uma inflamação da medula espinhal que se manifesta com fraqueza motora (frequentemente ascendente), alterações sensitivas com nível bem definido e disfunção autonômica (bexigoma). O diagnóstico é confirmado por RM da coluna, que pode mostrar hipersinal intramedular.

Contexto Educacional

A mielite transversa aguda é uma síndrome neurológica inflamatória que afeta a medula espinhal, resultando em disfunção motora, sensitiva e autonômica. Sua apresentação clínica é caracterizada por um início subagudo de fraqueza nos membros (frequentemente ascendente), acompanhada de um nível sensitivo bem definido e disfunção esfincteriana, como retenção urinária (bexigoma). Ao exame físico, são comuns a paraparesia ou tetraparesia, hiperreflexia e sinal de Babinski, indicando comprometimento do trato piramidal. A presença de um nível sensitivo denso é um achado chave que aponta para uma lesão medular. O diagnóstico diferencial inclui outras mielopatias, como compressão medular, neuroesquistossomose e degeneração combinada subaguda. O exame complementar de escolha na emergência é a ressonância magnética (RM) da coluna vertebral, especialmente da região torácica, que pode evidenciar edema e hipersinal intramedular, confirmando a inflamação. O tratamento geralmente envolve corticosteroides em altas doses e, em alguns casos, plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa. O prognóstico é variável, com recuperação parcial ou completa em muitos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da mielite transversa aguda?

Os sintomas incluem fraqueza motora (geralmente ascendente), alterações sensitivas com nível bem definido (ex: nível do umbigo) e disfunção autonômica, como retenção urinária ou intestinal, que podem evoluir rapidamente.

Qual exame é fundamental para o diagnóstico de mielite transversa?

A ressonância magnética (RM) da coluna vertebral (especialmente torácica) é o exame de escolha, podendo revelar hipersinal intramedular e edema, confirmando a inflamação e descartando compressão medular.

Como diferenciar mielite transversa da Síndrome de Guillain-Barré?

A mielite transversa cursa com nível sensitivo, disfunção esfincteriana e sinais piramidais (Babinski, reflexos exaltados), enquanto a SGB é uma polirradiculoneuropatia que tipicamente não apresenta esses achados e afeta o sistema nervoso periférico.

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