CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006
Em indivíduos com anisometropia e esodesvio de 8 dioptrias prismáticas ou menos que apresentam escotoma de supressão central, o tratamento indicado é:
Microtropia (≤ 8Δ) + escotoma central → Correção óptica + oclusão (tratamento conservador).
Em casos de microtropia (pequenos desvios com supressão central), a conduta prioritária é a reabilitação visual através da correção do erro refracional e terapia de oclusão para tratar a ambliopia associada.
O manejo do estrabismo de pequeno ângulo exige uma compreensão profunda da sensorialidade ocular. A presença de um escotoma de supressão central é um mecanismo adaptativo do cérebro para evitar a diplopia em olhos desalinhados. Em pacientes com anisometropia, a diferença de grau entre os olhos agrava a supressão, levando à ambliopia anisometrópica ou estrábica. A conduta clínica baseia-se na premissa de que a visão binocular funcional (embora subnormal na microtropia) é preferível a tentativas cirúrgicas de alinhamento perfeito que podem desestabilizar o sistema sensorial. Portanto, o foco do residente deve ser a prescrição óptica precisa e o monitoramento rigoroso da acuidade visual, utilizando a oclusão conforme os protocolos de tratamento de ambliopia (como os do ATS/PEDIG).
A microtropia é um estrabismo de pequeno ângulo, geralmente definido como um desvio menor ou igual a 8 dioptrias prismáticas. Frequentemente está associada à anisometropia e apresenta características sensoriais específicas, como a presença de um escotoma de supressão central e correspondência retiniana anômala harmônica. Devido ao pequeno ângulo, o desvio pode ser cosmeticamente imperceptível, mas leva à ambliopia se não tratado precocemente.
Desvios de 8 dioptrias prismáticas ou menos são considerados microtropias ou desvios residuais estáveis. A cirurgia de estrabismo é tecnicamente difícil para ângulos tão pequenos e raramente resulta em melhora da binocularidade ou da acuidade visual nesses casos. O risco de converter uma microtropia estável em um desvio maior ou instável supera os benefícios, sendo a conduta conservadora (óptica e oclusiva) o padrão-ouro.
A terapia de oclusão visa forçar o cérebro a utilizar o olho amblíope (o olho com maior erro refracional ou desviado), estimulando o desenvolvimento das vias neuronais no córtex visual. Na anisometropia, a correção óptica deve ser prescrita primeiro para garantir uma imagem nítida na retina; se a acuidade visual não igualar após o uso constante dos óculos, a oclusão do olho dominante é iniciada para tratar a ambliopia remanescente.
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