Microesotropia Primária: Características e Visão Binocular

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023

Enunciado

Qual das características abaixo é mais frequentemente encontrada na microesotropia primária?

Alternativas

  1. A) Ângulo do desvio entre 15 e 20 dioptrias prismáticas.
  2. B) Ausência de vergência fusional.
  3. C) Limitação bilateral de abdução.
  4. D) Visão binocular anormal.

Pérola Clínica

Microesotropia = desvio < 10 DP + escotoma central + visão binocular subnormal.

Resumo-Chave

A microesotropia primária é um estrabismo de ângulo muito pequeno que mantém uma forma de binocularidade rudimentar, porém com escotoma central e estereopsia reduzida.

Contexto Educacional

A microesotropia representa um conceito fundamental no estudo do estrabismo sensorial. Ela se diferencia das esotropias de grande ângulo pela presença de mecanismos adaptativos sensoriais estáveis. Existem dois tipos principais: a primária (idiopática) e a secundária (geralmente após cirurgia de esotropia de grande ângulo). Na prática clínica e em provas, o foco recai sobre a 'visão binocular anormal', que descreve a coexistência de fusão periférica com escotoma central, impedindo a visão binocular normal plena (estereopsia fina).

Perguntas Frequentes

O que define a microesotropia primária?

A microesotropia primária é definida como um desvio ocular convergente de pequeno ângulo, geralmente menor que 10 dioptrias prismáticas (ou 5 graus). Sua principal característica é a presença de uma visão binocular anômala, onde existe fusão periférica, mas há um escotoma de supressão central no olho desviado. Isso resulta em uma estereopsia grosseira ou ausente para testes finos. Frequentemente, está associada à correspondência retiniana anômala (CRA) harmônica, o que permite que o paciente mantenha um certo grau de cooperação binocular apesar do desalinhamento ocular.

Como é feito o diagnóstico clínico da microesotropia?

O diagnóstico pode ser desafiador devido ao pequeno ângulo do desvio, que pode ser imperceptível ao teste de cobertura (cover test) simples. O teste do prisma de 4 dioptrias base externa é uma ferramenta clássica: ao colocar o prisma sobre o olho fixador, observa-se um movimento de versão de ambos os olhos, mas o olho com microesotropia não realiza o movimento de refixação (fusão) devido ao escotoma central. Além disso, o teste de Bagolini pode demonstrar a supressão central ou a correspondência retiniana anômala, confirmando a natureza sensorial do quadro.

Qual a relação entre microesotropia e ambliopia?

A ambliopia é uma consequência quase universal na microesotropia primária não tratada. Devido ao escotoma de supressão central constante no olho desviado para evitar a diplopia e a confusão visual, o desenvolvimento da acuidade visual é prejudicado. A ambliopia na microesotropia costuma ser de grau leve a moderado e é frequentemente o motivo pelo qual o paciente procura o oftalmologista, já que o desvio estético é mínimo. O tratamento envolve a oclusão do olho dominante, embora o prognóstico para a recuperação da estereopsia fina seja reservado.

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