CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica do Mato Grosso do Sul — Prova 2015
Paciente de 55 anos apresentando microcalcificações agrupadas na mama direita, em quadrante superior externo, ao exame de mamografia, nas 2 incidências e na compressão localizada com magnificação. Qual é a conduta APROPRIADA para esse caso?
Microcalcificações agrupadas suspeitas na mamografia → biópsia guiada para diagnóstico definitivo.
Microcalcificações agrupadas, especialmente quando visíveis em múltiplas incidências e com magnificação, são um achado mamográfico altamente suspeito para malignidade (BIRADS 4 ou 5) e requerem biópsia para diagnóstico histopatológico definitivo. A biópsia guiada (estereotáxica ou a vácuo) é a conduta apropriada.
A mamografia é a principal ferramenta de rastreamento para o câncer de mama, e a detecção de microcalcificações é um achado comum e de grande importância. Microcalcificações são pequenos depósitos de cálcio que podem ser benignos ou malignos. A avaliação de sua morfologia (pontiformes, pleomórficas, lineares) e distribuição (agrupadas, difusas, segmentares) é crucial para determinar o grau de suspeição e a conduta subsequente. No caso de microcalcificações agrupadas, como descrito na questão, a suspeição para malignidade é elevada, classificando-as geralmente como BIRADS 4 ou 5. Nesses casos, a conduta apropriada não é apenas a ultrassonografia (que tem baixa sensibilidade para calcificações) ou a punção aspirativa com agulha fina (PAAF), que não permite a análise histopatológica da arquitetura tecidual, essencial para o diagnóstico diferencial entre lesões benignas, carcinoma ductal in situ (CDIS) e carcinoma invasivo. A biópsia guiada por agulhamento prévio, geralmente estereotáxica ou a vácuo (mamotomia), é o procedimento padrão-ouro. Ela permite a retirada de múltiplos fragmentos de tecido contendo as microcalcificações para análise histopatológica, fornecendo um diagnóstico definitivo. A setorectomia (cirurgia) só seria considerada após a confirmação histopatológica de malignidade, e não como conduta inicial para um achado mamográfico suspeito.
Microcalcificações agrupadas, especialmente as pleomórficas ou lineares/ramificadas, são frequentemente associadas a lesões pré-invasivas como o carcinoma ductal in situ (CDIS) ou a carcinomas invasivos, sendo um dos principais indicadores mamográficos de malignidade.
A ultrassonografia tem um papel limitado na avaliação de microcalcificações isoladas, pois muitas vezes não são visíveis por esse método. Sua principal utilidade é para avaliar lesões nodulares ou císticas, ou como complemento em mamas densas.
A biópsia percutânea guiada por estereotaxia (ou a vácuo) é o método de escolha para microcalcificações suspeitas, pois permite a retirada de múltiplos fragmentos para análise histopatológica, garantindo a representatividade da lesão.
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