Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Mulher, 42 anos, queixa-se de fadiga progressiva com diplopia ao final do dia há 6 meses. Exame neurológico sugere fraqueza fatigável; sorologia para anticorpo anti-receptor de acetilcolina é positiva. Radiografia de tórax mostra alargamento do mediastino anterior. A tomografia computadorizada de tórax com contraste mostra uma massa encapsulada no mediastino anterior, sem invasão evidente de estruturas adjacentes (imagem demonstrada a seguir): Não há adenomegalias mediastinais perceptíveis. Qual a conduta mais adequada para esse caso?
Miastenia Gravis + Massa Mediastinal Anterior → Timectomia (Ressecção Cirúrgica).
A associação entre Miastenia Gravis e timoma é frequente (10-15%). A presença de massa mediastinal anterior em paciente miastênico indica ressecção cirúrgica completa.
A Miastenia Gravis é uma doença autoimune da junção neuromuscular caracterizada por fraqueza e fadigabilidade muscular, frequentemente manifestando-se com ptose e diplopia. A TC de tórax é obrigatória no diagnóstico para excluir a presença de timoma, que ocorre em uma parcela significativa dos pacientes. O tratamento cirúrgico (timectomia) é a conduta padrão para massas mediastinais anteriores em pacientes com MG, visando tanto o controle da neoplasia quanto a melhora do quadro clínico neuromuscular. A ressecção deve ser completa, incluindo a gordura pericárdica, para maximizar as chances de remissão da doença autoimune e evitar recorrências tumorais.
O timo desempenha um papel central na patogênese da Miastenia Gravis (MG), sendo o local de produção de anticorpos anti-receptor de acetilcolina (anti-AChR). Cerca de 75% dos pacientes com MG apresentam anormalidades tímicas, sendo 60% hiperplasia folicular e 10-15% timomas.
A biópsia percutânea é geralmente contraindicada em massas encapsuladas sugestivas de timoma devido ao risco de quebra da cápsula e implante de células tumorais no trajeto da agulha ou na pleura (seeding). Como a ressecção cirúrgica é o tratamento definitivo e diagnóstico, opta-se pela cirurgia direta.
Em pacientes com timoma, a cirurgia é mandatória para controle oncológico. Em termos neurológicos, a timectomia pode levar à remissão ou melhora significativa dos sintomas miastênicos em uma grande porcentagem de pacientes, embora a resposta possa levar meses ou anos para se consolidar.
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