IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 30 anos, comparece ao AGD por queixa de fraqueza há 6 meses. Relata que acorda bem, mas que, ao longo do dia, sente um cansaço progressivo, com ptose, alteração visual caracterizada como diplopia. Realizou em um PS externo a aplicação de bolsa de gelo durante a ptose, que melhorou o quadro. Nega outras comorbidades conhecidas. A respeito do caso supracitado, assinale a alternativa correta.
Miastenia Gravis → autoanticorpos bloqueiam receptores ACh pós-sinápticos → fraqueza muscular flutuante.
O caso clínico descreve classicamente a Miastenia Gravis, uma doença autoimune da junção neuromuscular. A fraqueza muscular flutuante, piorando com o esforço e melhorando com o repouso, e a resposta positiva ao teste da bolsa de gelo (melhora da ptose com frio) são achados típicos que apontam para essa condição.
A Miastenia Gravis é uma doença autoimune crônica caracterizada por fraqueza e fadiga muscular flutuantes, que pioram com a atividade e melhoram com o repouso. É causada pela produção de autoanticorpos que atacam componentes da junção neuromuscular, mais comumente os receptores de acetilcolina pós-sinápticos. A prevalência é de cerca de 15-20 casos por 100.000 pessoas, com pico de incidência em mulheres jovens e homens mais velhos. O reconhecimento precoce é crucial para evitar crises miastênicas e melhorar a qualidade de vida. A fisiopatologia central da Miastenia Gravis envolve a redução do número ou da função dos receptores de acetilcolina (AChR) na membrana pós-sináptica. Os autoanticorpos podem bloquear a ligação da acetilcolina, destruir os receptores ou acelerar sua degradação. Isso resulta em uma transmissão neuromuscular ineficaz, levando à fraqueza muscular. O diagnóstico é baseado na história clínica (fraqueza flutuante, ptose, diplopia), exame físico, testes farmacológicos (edrofônio), testes sorológicos (anticorpos anti-AChR, anti-MuSK) e eletroneuromiografia. O tratamento da Miastenia Gravis é multifacetado e visa melhorar a força muscular e controlar a resposta autoimune. A terapia sintomática inclui o uso de inibidores da acetilcolinesterase, como a piridostigmina, que aumentam a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica. Terapias imunossupressoras (corticosteroides, azatioprina), imunoglobulina intravenosa (IVIG), plasmaférese e timectomia são utilizadas para modular a resposta autoimune. O manejo adequado é essencial para prevenir complicações como a crise miastênica, uma emergência médica que pode levar à insuficiência respiratória.
Os sintomas clássicos incluem fraqueza muscular flutuante que piora com o esforço e melhora com o repouso, frequentemente afetando músculos oculares (ptose, diplopia), faciais, bulbares (disfagia, disartria) e dos membros.
O teste da bolsa de gelo é positivo quando a aplicação de gelo sobre a pálpebra com ptose melhora temporariamente o quadro. Acredita-se que o frio diminua a atividade da acetilcolinesterase, aumentando a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica.
Na Miastenia Gravis, autoanticorpos atacam e bloqueiam os receptores nicotínicos de acetilcolina na membrana pós-sináptica da junção neuromuscular, impedindo a ligação da acetilcolina e a geração de potenciais de ação musculares adequados.
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