INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Trabalhador da construção civil, de 58 anos de idade, em tratamento regular para hipertensão há 12 anos, procurou a unidade básica de saúde (UBS), com queixa de fortes dores musculares. O paciente acredita que as dores musculares tenham relação com o uso de uma nova medicação prescrita na UBS há duas semanas, quando, em uma consulta de rotina, foram constatadas alterações em seus exames laboratoriais.Nesse caso, qual condição clínica, ao ser evidenciada pelos exames laboratoriais, pode justificar a prescrição da medicação?
Dores musculares + nova medicação para alterações laboratoriais → Suspeitar de estatina para dislipidemia.
A mialgia é um efeito adverso comum das estatinas, medicamentos amplamente utilizados para tratar a dislipidemia. Quando um paciente relata dores musculares após iniciar uma nova medicação para alterações laboratoriais, a suspeita deve recair sobre as estatinas, especialmente se os exames prévios indicavam dislipidemia.
As dislipidemias, caracterizadas por alterações nos níveis de lipídios no sangue, são fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares ateroscleróticas. As estatinas são a classe de medicamentos mais eficaz e amplamente utilizada para reduzir o colesterol LDL, diminuindo significativamente o risco de eventos cardiovasculares. No entanto, como qualquer medicação, elas possuem um perfil de efeitos adversos que precisam ser monitorados. Um dos efeitos adversos mais conhecidos das estatinas é a mialgia, que se manifesta como dor muscular, sensibilidade ou fraqueza. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas pode envolver alterações na função mitocondrial ou na síntese de coenzima Q10. A incidência de mialgia varia, sendo mais comum em pacientes com fatores de risco como idade avançada, hipotireoidismo, insuficiência renal ou hepática, uso concomitante de outros medicamentos e altas doses de estatina. Ao suspeitar de mialgia induzida por estatina, é fundamental realizar uma avaliação clínica e laboratorial, incluindo a dosagem de creatina fosfoquinase (CPK). A conduta pode variar desde a observação e monitoramento, redução da dose, troca da estatina por outra com perfil de segurança diferente, ou uso de esquemas de dosagem alternados. É crucial não descontinuar o tratamento com estatina sem orientação médica, devido aos seus importantes benefícios cardiovasculares, mas sempre buscar alternativas para otimizar a adesão e a qualidade de vida do paciente.
Os sintomas de miopatia induzida por estatina variam de mialgia (dor muscular sem elevação de CPK) a miopatia (dor muscular com elevação de CPK) e, em casos graves, rabdomiólise (elevação acentuada de CPK, mioglobinúria e risco de insuficiência renal aguda). As dores geralmente são simétricas, afetam grandes grupos musculares e podem ser acompanhadas de fraqueza.
O diagnóstico de miopatia por estatina é clínico, baseado na queixa de dor muscular após o início ou aumento da dose da estatina, e laboratorial, com a dosagem da creatina fosfoquinase (CPK). É importante excluir outras causas de dor muscular. A melhora dos sintomas após a suspensão da estatina e o reaparecimento com a reintrodução (se clinicamente apropriado) apoiam o diagnóstico.
A conduta inicial é avaliar a intensidade da dor, dosar a CPK e, se a elevação for significativa ou houver sintomas graves, suspender temporariamente a estatina. Em casos leves, pode-se tentar reduzir a dose, mudar para outra estatina ou usar um esquema de dose intermitente, sempre monitorando os sintomas e a CPK.
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