Classificação de Fontes de Dados em Pesquisa Médica

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2018

Enunciado

Estudo realizado por uma Unidade de Saúde do município de Florianópolis buscou informações contidas nos prontuários para avaliar os níveis de colesterol em uma amostra de indivíduos por meio de seus prontuários. A amostra de conveniência era de pessoas que consultavam na Unidade de Saúde ao menos 2 vezes ao ano. De acordo com o SIAB, a população de 60 anos ou mais era superior a 18%, ou seja, uma população com características de envelhecimento. A hipótese era de que a media de colesterol total no sangue encontrado na amostra era superior a 200 mg/dL (valor verificado em pessoas sadias). A média encontrada foi de 184 mg/dL entre os 88 indivíduos avaliados. Como pode-se considerar essa informação? Para isso, deve-se considerar o desvio-padrão como 45 mg/dL, um erro α de 0,05 e que o valor encontrado para o intervalo de confiança foi (196,3 - 174,4). Quanto à fonte de dados, podem-se considerar:

Alternativas

  1. A) Dados primários de levantamentos contínuos;
  2. B) Dados primários de levantamentos ocasionais;
  3. C) Dados secundários de levantamentos periódicos;
  4. D) Dados secundários de levantamentos ocasionais;
  5. E) Nenhuma das alternativas acima;

Pérola Clínica

Dados de prontuários = Dados Secundários; Coleta pontual/não rotineira = Levantamento Ocasional.

Resumo-Chave

Dados secundários são aqueles já coletados para outros fins (como prontuários), e levantamentos ocasionais referem-se a pesquisas pontuais sem periodicidade obrigatória estabelecida.

Contexto Educacional

Na metodologia científica, a classificação das fontes de dados é fundamental para entender o viés e a validade do estudo. Dados primários oferecem maior controle sobre a qualidade da coleta, mas são caros e lentos. Dados secundários, como os de prontuários ou sistemas de informação (SIAB, SISVAN), são mais acessíveis e permitem análises retrospectivas, porém dependem da qualidade do preenchimento original. O estudo citado utilizou uma amostra de conveniência e registros prévios para testar uma hipótese sobre níveis de colesterol, configurando um desenho de estudo transversal com uso de fonte secundária em um levantamento ocasional.

Perguntas Frequentes

O que define um dado como secundário?

Dados secundários são informações que já foram coletadas, registradas e armazenadas anteriormente para finalidades diferentes da pesquisa atual. Exemplos clássicos incluem prontuários médicos, certidões de óbito (SIM), notificações de doenças (SINAN) ou censos demográficos. No caso da questão, os pesquisadores utilizaram informações já contidas nos prontuários da Unidade de Saúde, caracterizando a fonte como secundária, pois o dado não foi gerado pelo pesquisador no momento do estudo.

Qual a diferença entre levantamento periódico e ocasional?

Levantamentos periódicos são realizados em intervalos de tempo regulares e pré-definidos (ex: Censo a cada 10 anos, PNAD anual). Já os levantamentos ocasionais são realizados de forma pontual, geralmente para responder a uma pergunta de pesquisa específica ou avaliar uma situação momentânea, sem o compromisso de repetição sistemática no tempo. O estudo em Florianópolis foi uma iniciativa pontual para avaliar o colesterol em uma amostra específica, logo, é classificado como ocasional.

Por que prontuários não são considerados dados primários?

Para serem considerados primários, os dados precisariam ser obtidos diretamente dos sujeitos da pesquisa através de entrevistas, exames físicos ou laboratoriais realizados especificamente para o propósito do estudo em questão. Como o pesquisador apenas 'buscou informações contidas nos prontuários', ele está utilizando um registro administrativo/clínico pré-existente, o que define a natureza secundária da fonte de dados.

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