PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020
Mulher, 33 anos de idade, nuligesta, obesa grau 1, hipertensa bem controlada com ramipril, tabagista 1 maço/dia, sem outras comorbidades, vem em consulta de rotina ginecológica pois está com parceiro fixo e deseja iniciar método contraceptivo. Refere ciclos menstruais regulares, durando cerca de 7 dias, fluxo alto e dismenorreia moderada. Exame físico e ultrassonografia transvaginal sem alterações. Exames laboratoriais realizados: Hb: 12,9g/dl (VR: 13,0 a 18,0g/dl), TGO: 10U/l (VR: 5 a 40u/l), TGP: 15U/l (VR: 7 a 56U/l), Cr: 0,7mg/dl (VR: 0,5 a 1,1mg/dl). De acordo com os critérios de Elegibilidade para Uso dos Métodos Anticoncepcionais da OMS e com a Lei no 9.263/1996, responda as questões 34 a 36: Quanto à escolha de métodos contraceptivos, é correto afirmar:
Método Ogino-Knaus (tabelinha) → ovulação 12-16 dias antes da menstruação, período fértil.
O método da tabelinha, ou Ogino-Knaus, baseia-se na premissa de que a ovulação ocorre em um período fixo antes da menstruação, geralmente entre 12 e 16 dias. A alternativa A está incorreta, pois tabagismo >15 cigarros/dia em mulheres >35 anos é contraindicação absoluta para CHC (OMS Categoria 4), e mesmo <35 anos é Categoria 3. A alternativa C está incorreta, pois embora ambos DIUs sejam altamente eficazes, o DIU de cobre pode aumentar o fluxo e dismenorreia, enquanto o LNG-DIU reduz. A alternativa D está incorreta, pois o condom não protege 100% contra HPV.
A escolha do método contraceptivo ideal exige uma avaliação cuidadosa das características individuais da paciente, incluindo idade, comorbidades e estilo de vida, sempre guiada pelos Critérios de Elegibilidade Médica da Organização Mundial da Saúde (OMS). Compreender os diferentes métodos e suas indicações e contraindicações é fundamental para a prática ginecológica. Métodos comportamentais, como o Ogino-Knaus (tabelinha), baseiam-se na fisiologia do ciclo menstrual, estimando o período fértil a partir da data da menstruação, sendo a ovulação um evento que ocorre de forma relativamente constante antes do próximo ciclo. No entanto, a eficácia dos métodos comportamentais é menor que a dos métodos de longa ação. Para métodos hormonais, fatores como tabagismo e hipertensão são cruciais. Mulheres tabagistas, especialmente as com mais de 35 anos ou que fumam intensamente, têm um risco significativamente aumentado de eventos cardiovasculares com o uso de contraceptivos hormonais combinados (CHCs), tornando-os contraindicados. Nesses casos, métodos apenas com progestágeno ou métodos não hormonais são preferíveis. Além disso, a escolha entre DIU de cobre e DIU com levonorgestrel deve considerar o perfil de sangramento da paciente. Enquanto o DIU de cobre pode exacerbar a menorragia e dismenorreia, o DIU com levonorgestrel é uma excelente opção para reduzir o fluxo menstrual e tratar a dismenorreia. A proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é exclusiva do condom, que deve ser recomendado em todas as relações sexuais, independentemente do uso de outros métodos contraceptivos, pois nenhum outro método oferece essa proteção completa.
O método Ogino-Knaus, ou tabelinha, baseia-se no cálculo do período fértil da mulher, assumindo que a ovulação ocorre cerca de 12 a 16 dias antes do início da próxima menstruação. Requer ciclos regulares e anotação precisa para estimar os dias de maior fertilidade.
Para mulheres tabagistas, o contraceptivo hormonal combinado é contraindicado (Categoria 4 da OMS) se tiverem 35 anos ou mais e fumarem qualquer quantidade, ou se tiverem menos de 35 anos e fumarem 15 ou mais cigarros por dia. O risco de eventos cardiovasculares aumenta significativamente.
O DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual e a dismenorreia, sendo uma opção menos ideal para mulheres com sangramento intenso prévio. O DIU com levonorgestrel, por outro lado, libera progestágeno que atrofia o endométrio, resultando em redução do fluxo menstrual e, frequentemente, amenorreia.
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