SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2018
Mulher, de 38 anos, busca atendimento em Unidade Básica de Saúde da Família: “Doutor, estou aqui porque depois que eu terminei o tratamento da hanseníase e recebi alta ainda tenho sentido dores nos braços, sem condições para realizar as atividades de casa. Não tenho vontade de sair. Meu marido e meus dois filhos ficam reclamando dizendo que eu não sou mais a mesma. Será que é a doença voltando, doutor? As pessoas continuam olhando para mim diferente... Ou será algo mais grave? Minha comadre começou desse jeito e estava, na verdade, com câncer nos peitos”. Com base no método clínico centrado na pessoa, marque o questionamento necessário para complementar as dimensões da experiência da doença já presentes na fala desta mulher.
MCCP → explorar experiência da doença, incluindo sentimentos, ideias, função e expectativas do paciente.
O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) busca compreender a experiência da doença sob a ótica do paciente, além do diagnóstico biomédico. A pergunta 'Quanto você acredita que eu posso lhe ajudar?' aborda diretamente as expectativas e o papel do médico na perspectiva do paciente, complementando as dimensões já expressas de sentimentos (tristeza, falta de vontade), ideias (doença voltando, câncer) e impacto funcional (dores, atividades de casa).
O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) é uma abordagem fundamental na Atenção Primária à Saúde, que transcende o modelo biomédico tradicional ao integrar a perspectiva do paciente no processo diagnóstico e terapêutico. Ele reconhece que a 'doença' (disease) é apenas uma parte da 'experiência da doença' (illness), que engloba os sentimentos, ideias, impacto funcional e expectativas do indivíduo. Para residentes, dominar o MCCP é essencial para uma prática humanizada e eficaz. A aplicação do MCCP envolve quatro componentes principais: explorar a doença e a experiência da doença, compreender a pessoa como um todo, encontrar um terreno comum para o plano de manejo e fortalecer a relação médico-paciente. A escuta ativa e a formulação de perguntas abertas são ferramentas-chave para desvendar as dimensões da experiência da doença, permitindo ao médico ir além dos sintomas e entender o sofrimento do paciente em seu contexto de vida. No caso apresentado, a paciente com hanseníase já expressa sentimentos (tristeza, falta de vontade), ideias (doença voltando, câncer) e impacto funcional (dores, sem condições para atividades). A pergunta sobre 'quanto o médico pode ajudar' complementa a investigação ao abordar diretamente as expectativas e o papel do profissional na visão do paciente, um pilar do MCCP. Essa abordagem integral não só melhora a precisão diagnóstica, mas também fortalece o vínculo terapêutico e a adesão ao tratamento.
As dimensões da experiência da doença no MCCP incluem os sentimentos do paciente sobre a doença, suas ideias sobre a causa e o significado, o impacto na sua função e vida diária, e suas expectativas em relação à doença e ao tratamento.
Perguntar sobre as expectativas do paciente é crucial para alinhar o plano de cuidado com o que o paciente espera e deseja, promovendo maior adesão e satisfação. Ajuda o médico a entender o que o paciente busca e o que ele considera uma ajuda efetiva.
Ao abordar a experiência completa da doença e as expectativas do paciente, o MCCP permite que o plano terapêutico seja construído em conjunto, considerando os valores e prioridades do indivíduo. Isso aumenta o engajamento do paciente e, consequentemente, a adesão ao tratamento.
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