PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Dona Maria, de 72 anos, viúva e moradora de uma área rural, recebe a visita da equipe de saúde da família após sua filha, que mora em outra cidade, expressar preocupação sobre a sua saúde. Maria vive sozinha, mas mantém a casa limpa e a horta produtiva, embora nos últimos meses sinta um cansaço progressivo. Durante a conversa, ela relata que não tem muito apetite, sente-se desanimada e com dores nas pernas, o que a impede de cuidar da horta como antes. Refere que a filha tentou convencê-la a se mudar, mas ela não quer, pois se sente "inútil" longe de suas atividades. O exame físico revela uma paciente orientada, desnutrida, com palidez cutânea, edema de membros inferiores 1+/4+ e pressão arterial de 155 x 95 mmHg. Considerando o caso de Dona Maria e a abordagem da equipe de saúde da família, qual a estratégia de cuidado mais adequada a ser implementada na primeira visita, visando uma intervenção integral e humanizada?
PCCU = Entender a pessoa + Entender a doença + Plano conjunto + Fortalecer relação.
A abordagem na APS deve integrar as dimensões biológicas, psicológicas e sociais, priorizando a autonomia do paciente através de um plano de cuidados compartilhado.
O caso de Dona Maria exemplifica a complexidade do atendimento geriátrico na Atenção Primária à Saúde (APS). Embora apresente sinais físicos como hipertensão e edema, o 'cansaço progressivo' e o 'desânimo' podem estar ligados tanto a causas orgânicas (anemia, desnutrição) quanto a questões psicossociais relacionadas ao envelhecimento e à perda de papel social. A estratégia de cuidado mais adequada, conforme as diretrizes da Medicina de Família e Comunidade, é a abordagem integral. Isso envolve validar o sofrimento da paciente, negociar intervenções que respeitem seu desejo de permanecer em casa e envolver a rede de apoio (filha) de forma colaborativa, garantindo que a paciente seja protagonista de sua própria saúde.
É um modelo de atendimento que vai além do diagnóstico da doença (o 'disease'). Ele busca entender a experiência da pessoa com a enfermidade (o 'illness'), explorando seus sentimentos, ideias, expectativas e o impacto na funcionalidade. O objetivo é criar um plano comum de manejo entre médico e paciente, fortalecendo a relação terapêutica.
A autonomia deve ser preservada respeitando os desejos do idoso sobre onde morar e como conduzir sua vida. A equipe deve avaliar a capacidade funcional e oferecer suporte para que o idoso mantenha suas atividades (como a horta da Dona Maria), em vez de apenas prescrever mudanças drásticas que podem levar ao isolamento e depressão.
A escuta ativa permite identificar demandas que não aparecem no exame físico, como o sentimento de inutilidade ou o luto. No caso de idosos que vivem sozinhos, entender o significado de suas atividades diárias é crucial para propor intervenções que façam sentido para eles, aumentando a adesão ao tratamento e o bem-estar geral.
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