SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Mulher de 50 anos comparece em sua UBS para consulta de retorno com sua médica de família que lhe faz as seguintes perguntas: “Sobre o que você gostaria de conversar comigo hoje? Sobre a sua falta de ar devido ao seu problema do pulmão, sobre a dor nos joelhos ou sobre a dificuldade de visão? Podemos falar só sobre um deles ou sobre mais de um. E se você tiver outra ideia sobre o que fazer na consulta de hoje, me diga, por favor. Então, o que você gostaria de fazer?” Qual componente do método clínico centrado na pessoa foi utilizado pela médica?
Médica pergunta 'o que você gostaria de fazer?' → Elaboração de um projeto comum de manejo de problemas (MCCP).
A médica, ao perguntar à paciente sobre suas prioridades e abrir espaço para suas ideias, está ativamente engajando-a na tomada de decisões e na construção de um plano de cuidados. Isso reflete o componente de 'Elaborando um projeto comum de manejo de problemas' do Método Clínico Centrado na Pessoa.
O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) é uma abordagem fundamental na Atenção Primária à Saúde, que visa aprimorar a qualidade do cuidado ao colocar o paciente no centro do processo decisório. Ele transcende o modelo biomédico tradicional, reconhecendo a importância da experiência do paciente com a doença, seu contexto de vida e suas preferências. O MCCP é composto por quatro componentes interligados, que guiam a interação médico-paciente para um cuidado mais integral e eficaz. O componente 'Elaborando um projeto comum de manejo de problemas' é crucial e foi claramente exemplificado na questão. Ele envolve a negociação e o compartilhamento de decisões entre o médico e o paciente sobre o plano de cuidados. A médica, ao questionar a paciente sobre suas prioridades ('Sobre o que você gostaria de conversar comigo hoje?') e oferecer opções, além de abrir espaço para novas ideias, está ativamente buscando construir um plano que seja mutuamente aceitável e alinhado com as expectativas e necessidades da paciente. Isso vai além de apenas explorar a doença, focando na construção conjunta de soluções. Para residentes, dominar o MCCP é essencial para desenvolver habilidades de comunicação, empatia e tomada de decisão compartilhada. Essa abordagem não só melhora a adesão ao tratamento e a satisfação do paciente, mas também otimiza a utilização dos recursos de saúde, ao focar nos problemas que são mais relevantes para a pessoa. A prática de envolver o paciente na elaboração do plano de manejo fortalece o relacionamento terapêutico e promove um cuidado mais humanizado e efetivo.
O MCCP possui quatro componentes principais: 1) Explorando a saúde, a doença e a experiência da pessoa com a doença; 2) Entendendo a pessoa como um todo; 3) Elaborando um projeto comum de manejo de problemas; e 4) Intensificando o relacionamento entre a pessoa e o profissional de saúde.
A elaboração de um projeto comum garante que o plano de cuidados seja relevante e aceitável para o paciente, considerando suas prioridades, valores e capacidade de adesão. Isso promove a autonomia do paciente e melhora os resultados de saúde.
A comunicação aberta, como demonstrado na questão, permite que o paciente expresse suas preocupações e preferências, facilitando a construção de um plano de manejo compartilhado e fortalecendo o vínculo terapêutico entre médico e paciente.
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