UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2017
Carlos, 22 anos, vem a unidade de saúde queixando-se de dor de cabeça muito forte. Começou há 40 muitos sem melhora com dipirona, que também não ajudou nas crises. Refere que já teve outros episódios semelhantes antes, num total de 5 ao longo do ano e com o último há 2 meses. Diz que é pulsátil e se inicia do lado esquerdo irradiando depois para toda a cabeça. Refere que se não incomoda com barulhos, mas com a luz sim. Está muito preocupado achando que vai morrer de câncer, pois sua tia sentia muitas dores de cabeça e morreu há 1 mês de câncer, aos 65 anos de idade. Sente-se estressado com as provas da faculdade, e a dor de cabeça atrapalha os estudos. Em relação ao Método Clínico Centrado na Pessoa para o paciente em questão:
MCCP: explorar medos e expectativas do paciente é crucial no 1º componente para entender a experiência da doença.
No Método Clínico Centrado na Pessoa, o primeiro componente foca em explorar a experiência da doença do paciente. Isso inclui entender seus sentimentos, ideias, funções e expectativas (FIFE), o que é essencial para abordar medos como o de câncer em um paciente com cefaleia.
O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) é uma abordagem essencial na Atenção Primária à Saúde, que transcende o modelo biomédico tradicional. Ele reconhece que a doença é uma experiência subjetiva e que o paciente é um indivíduo complexo, com seu próprio contexto de vida, crenças e emoções. No caso de um paciente com cefaleia, como Carlos, a dor física é apenas uma parte do quadro; seus medos, como o de ter câncer, e o estresse acadêmico são igualmente importantes. O primeiro componente do MCCP, "explorar a doença e a experiência da doença", é crucial. Isso envolve não apenas os sintomas (dor pulsátil, unilateral, fotofobia), mas também os sentimentos (preocupação com câncer), ideias (associação com a tia), funções (atrapalha estudos) e expectativas (o que espera do médico). Ignorar esses aspectos psicossociais pode levar a um diagnóstico incompleto e a um plano de cuidado ineficaz, pois o paciente pode não se sentir compreendido ou ter suas preocupações minimizadas. Para residentes, a aplicação do MCCP melhora a relação médico-paciente, aumenta a adesão ao tratamento e promove resultados de saúde mais abrangentes. Em situações como a de Carlos, é vital validar seus medos e preocupações, oferecendo explicações claras e baseadas em evidências, sem desconsiderar a dimensão emocional. A construção de um cuidado conjunto, que considere tanto os aspectos clínicos quanto os psicossociais, é a chave para uma prática médica humanizada e eficaz.
O MCCP possui quatro componentes: explorar a doença e a experiência da doença, entender a pessoa como um todo, encontrar um terreno comum para o plano de manejo e intensificar a relação médico-paciente.
Explorar os medos do paciente é fundamental para compreender sua experiência subjetiva da doença, suas preocupações e crenças. Isso permite ao médico abordar não apenas os sintomas físicos, mas também o impacto psicossocial da condição, construindo um plano de cuidado mais eficaz e empático.
A história familiar de câncer, especialmente em um contexto de ansiedade, pode levar o paciente a associar seus sintomas a uma doença grave. O médico deve reconhecer essa preocupação, validá-la e, após uma avaliação clínica adequada, tranquilizar o paciente, explicando a baixa probabilidade de câncer no contexto dos sintomas apresentados.
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