UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2017
Diógenes, 18 anos, apresenta dor de garganta de forte intensidade há 3 dias. Em casa, fez uso de analgésicos, mas não houve melhora, e comparece à unidade de saúde, tentando um “encaixe” devido ao forte incômodo que sente. Foi acolhido pela equipe de enfermagem e, em seguida, atendido pelo médico que chega ao diagnóstico de amigdalite aguda bacteriana. Como, na unidade, há antibióticos orais e injetáveis, o médico prescreve Penicilina Benzatina em dose única, orientando-o a procurar a enfermeira para a administração. Diógenes sai com sua prescrição, mas não procura a enfermeira e vai direto para casa, pensando em procurar outro serviço de saúde para ser avaliado, pois seu medo de medicação injetável o impede de receber o tratamento. De acordo com os conceitos do Método Clínico Centrado na Pessoa, diante desse caso, o médico:
MCCP: entender a experiência do paciente (medos, crenças) é vital para a adesão e sucesso terapêutico.
O Método Clínico Centrado na Pessoa enfatiza a importância de compreender a perspectiva do paciente, incluindo suas emoções, medos e expectativas. Ignorar o medo de injeção de Diógenes levou à não adesão, destacando a falha em abordar a experiência da doença e o contexto pessoal.
O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) é uma abordagem fundamental na prática médica contemporânea, que transcende o modelo biomédico tradicional ao integrar a perspectiva do paciente no processo de cuidado. Ele reconhece que a doença não é apenas um conjunto de sintomas e sinais, mas uma experiência pessoal que afeta o indivíduo em múltiplos níveis. Neste caso, o médico focou apenas no diagnóstico e tratamento técnico da amigdalite bacteriana com Penicilina Benzatina, uma conduta clinicamente correta para a doença. No entanto, ele falhou em explorar a "experiência da doença" de Diógenes, que incluía um medo significativo de injeções. Essa lacuna na comunicação e na compreensão do paciente levou à não adesão ao tratamento prescrito. A adesão terapêutica é um pilar do sucesso do tratamento, e o MCCP enfatiza que ela é construída através da compreensão das preocupações, medos, expectativas e contexto de vida do paciente. Ao não considerar o medo de Diógenes, o médico perdeu a oportunidade de negociar um plano de tratamento alternativo (como um antibiótico oral, se clinicamente apropriado) ou de oferecer suporte para superar o medo, resultando na interrupção do cuidado e na busca por outro serviço.
O MCCP envolve explorar a doença e a experiência da doença, entender a pessoa como um todo (contexto familiar, social, emocional), encontrar um terreno comum para o plano de manejo, e fortalecer a relação médico-paciente.
A falta de comunicação impediu o médico de identificar uma barreira significativa à adesão (o medo da injeção). Se o medo fosse abordado, alternativas (antibiótico oral) ou estratégias para superar o medo poderiam ter sido discutidas, garantindo o tratamento.
Uma relação forte, baseada em confiança e comunicação aberta, permite que o paciente se sinta seguro para expressar suas preocupações e medos. Isso facilita a construção de um plano terapêutico compartilhado e aumenta significativamente a probabilidade de adesão.
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