SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2025
Uma médica de família e comunidade retornou de uma visita domiciliar preocupada com a consulta realizada. Trata-se de uma paciente do sexo feminino de 65 anos, paciente domiciliada em consequência de um quadro de erisipela em membro inferior esquerdo, causado por arranhadura auto infligida, devido a intenso prurido pelo corpo. A paciente é hipertensa, diabética e ultimamente tem realizado consultas frequentes devido a queixas múltiplas, como cansaço, insônia, tontura, dores musculares, incontinência urinária e muita tristeza. Apesar das variadas terapias já instituídas, refere nunca melhorar. A médica pretende mudar a abordagem com a paciente, já que sua situação vinha lhe trazendo sentimentos negativos como, impotência, frustração, entre outros. Considerando o Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP), analise as assertivas a seguir: I - Abordagem narrativa com o intuito de fortalecer o vínculo médico paciente e facilitando a compreensão do contexto da pessoa. II - Autoquestionar-se, refletir sobre seus valores e vigiar atitudes com tendências autoritárias ou de “onipotência”. III - Solicitar a avaliação de um psiquiatra para abordagem mais ampliada. Quais assertivas contemplam o MCCP?
MCCP envolve abordagem narrativa (vínculo, contexto) e autorreflexão do médico (valores, evitar onipotência).
O Método Clínico Centrado na Pessoa enfatiza a compreensão do paciente em seu contexto biopsicossocial, utilizando a narrativa para fortalecer o vínculo e a autorreflexão do médico para evitar vieses e atitudes autoritárias, promovendo um cuidado mais humanizado e eficaz.
O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) é uma abordagem fundamental na Atenção Primária à Saúde, especialmente na Medicina de Família e Comunidade. Ele transcende o modelo biomédico tradicional, buscando compreender o paciente em sua totalidade, considerando não apenas a doença, mas também a experiência da doença, o contexto de vida e as expectativas do indivíduo. A assertiva I destaca a importância da abordagem narrativa, que é um pilar do MCCP. Ao permitir que o paciente conte sua história de forma livre, o médico consegue construir um vínculo mais sólido e obter uma compreensão mais profunda do impacto da doença na vida da pessoa, suas preocupações e seus recursos. Isso é crucial para um plano de cuidado que seja verdadeiramente centrado no paciente. A assertiva II aborda a dimensão da autorreflexão do médico, outro componente essencial do MCCP. Profissionais de saúde, especialmente em casos complexos e crônicos, podem experimentar sentimentos de frustração e impotência. Reconhecer e refletir sobre esses sentimentos, bem como sobre os próprios valores e possíveis tendências autoritárias, é vital para manter uma postura empática, evitar o burnout e garantir que o cuidado prestado seja ético e eficaz, sem transferir a responsabilidade ou a culpa para o paciente. A assertiva III, embora a avaliação psiquiátrica possa ser necessária, não é um princípio inerente ao MCCP, que foca na abordagem do médico de família.
Os componentes incluem explorar a doença e a experiência da doença, entender a pessoa como um todo, encontrar um terreno comum para o plano de manejo, e aprimorar a relação médico-paciente.
A abordagem narrativa permite ao médico compreender a história do paciente em seu contexto pessoal, social e cultural, fortalecendo o vínculo e facilitando a identificação de necessidades e expectativas além dos sintomas físicos.
A autorreflexão permite ao médico reconhecer seus próprios vieses, valores e sentimentos (como frustração ou impotência), evitando atitudes autoritárias e promovendo uma prática mais empática e consciente.
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