SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2019
Paciente, 15 anos, 32º dia de puerpério, é visitada em domicílio pela equipe de saúde da família, após ter faltado à consulta de puericultura agendada para seu filho. Questionada sobre o motivo da ausência, já que ela nunca faltou às consultas de pré- natal e sempre se mostrou muito responsável, a paciente respondeu que faltou porque seu filho mamava bem e não estava doente, e além disso, às vezes tinha vergonha de ir à unidade de saúde porque referia que as outras pessoas olhavam para ela com recriminação, por ser muito nova e já ser mãe. Considerando os princípios do método clínico centrado na pessoa, qual a melhor conduta neste caso?
Método Centrado na Pessoa: Ouvir, entender e compartilhar decisões com o paciente, especialmente adolescentes.
O método clínico centrado na pessoa prioriza a compreensão da perspectiva do paciente, suas necessidades e preferências. Em adolescentes, isso é ainda mais crítico para construir confiança e adesão, evitando julgamentos e promovendo a autonomia na construção do plano de cuidado.
O método clínico centrado na pessoa é uma abordagem fundamental na medicina contemporânea, especialmente na Atenção Primária à Saúde e em contextos de vulnerabilidade, como o puerpério na adolescência. Ele transcende o foco exclusivo na doença, buscando compreender o paciente em sua totalidade, incluindo suas emoções, crenças, contexto social e preferências. No caso da adolescente puérpera, que expressa vergonha e receio de julgamento, essa abordagem é crucial para estabelecer uma relação de confiança e garantir a continuidade do cuidado. A melhor conduta, segundo os princípios desse método, é ouvir ativamente a paciente, validar seus sentimentos e explorar suas necessidades e preferências. A partir dessa compreensão profunda, deve-se construir um plano terapêutico compartilhado, onde a adolescente se sinta parte das decisões e responsável pelo cuidado de seu filho e de si mesma. Isso promove sua autonomia e empoderamento, essenciais para uma transição saudável para a maternidade. Alternativas que focam apenas na intensificação da relação médico-paciente sem ouvir suas necessidades, acionam o Conselho Tutelar sem esgotar as possibilidades de acolhimento e suporte, ou se limitam a continuar consultas em domicílio sem abordar a raiz do problema (a vergonha e o julgamento percebido), desconsideram a complexidade da situação e os princípios do método centrado na pessoa. A empatia e a comunicação eficaz são ferramentas poderosas para superar barreiras e garantir um cuidado integral e humanizado.
Os pilares incluem a compreensão da doença e da experiência da doença, a pessoa como um todo, o médico e a pessoa, e a busca por um plano terapêutico compartilhado, fortalecendo a relação e a autonomia do paciente.
A abordagem deve ser empática e acolhedora, ouvindo suas preocupações e sentimentos de vergonha ou recriminação. É fundamental validar suas emoções e construir um ambiente de confiança para que ela se sinta à vontade para expressar suas necessidades.
Um plano terapêutico compartilhado aumenta a adesão ao tratamento e o senso de responsabilidade do adolescente, pois ele se sente parte ativa do processo de cuidado. Isso é crucial para promover sua autonomia e garantir a continuidade da assistência.
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