PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Amanda, 42 anos, vem à consulta na sua Unidade de Saúde solicitando renovação do medicamento Rivotril, que toma desde que sua mãe faleceu há dois anos, um momento muito difícil para ela. A paciente conta que está há dois dias sem o medicamento e que, desde então, as noites e os dias têm sido muito difíceis e que ela está muito irritada. Qual seria o melhor plano terapêutico para Amanda, considerando os preceitos do Método Clínico Centrado na Pessoa?
Desprescrição de benzodiazepínicos → Método Centrado na Pessoa = entender significado do fármaco + redução gradual + olhar integral.
No Método Clínico Centrado na Pessoa, a desprescrição de benzodiazepínicos deve considerar a perspectiva do paciente, o significado do medicamento em sua vida e suas experiências. Uma redução gradual é essencial para evitar a síndrome de abstinência, e a abordagem deve ser integral, explorando outros aspectos da saúde e vida do paciente para oferecer suporte.
O uso prolongado de benzodiazepínicos, como o Rivotril (clonazepam), é uma preocupação crescente na saúde pública devido ao risco de dependência, efeitos adversos (como prejuízo cognitivo e quedas em idosos) e síndrome de abstinência. A desprescrição, ou seja, a retirada gradual e supervisionada de medicamentos potencialmente inapropriados, é uma prática essencial, especialmente na atenção primária à saúde. O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) oferece uma estrutura robusta para abordar situações como a de Amanda. Ele enfatiza a importância de entender a experiência da doença e do tratamento sob a perspectiva do paciente, incluindo o significado que o medicamento tem em sua vida. Não se trata apenas de uma decisão técnica do médico, mas de uma construção conjunta do plano terapêutico. Para a desprescrição de benzodiazepínicos, a redução gradual é a estratégia mais segura e eficaz, minimizando os sintomas de abstinência. Além disso, o MCCP orienta um olhar integral sobre a saúde do paciente, considerando fatores psicossociais, emocionais e ambientais que podem influenciar o uso do medicamento e a capacidade de desmame. Isso pode envolver a oferta de suporte psicológico, estratégias de manejo de estresse e a exploração de outras abordagens não farmacológicas. A prevenção quaternária, que visa evitar a iatrogenia e o excesso de medicalização, é um conceito relevante aqui, mas a conduta não deve ser abrupta ou desconsiderar a autonomia do paciente. O residente deve estar apto a aplicar o MCCP para construir um plano terapêutico que seja seguro, eficaz e alinhado com as necessidades e valores do paciente.
O Método Clínico Centrado na Pessoa é uma abordagem que valoriza a perspectiva do paciente, suas experiências, sentimentos e o significado da doença ou do medicamento em sua vida. Na desprescrição, isso significa entender por que o paciente usa o medicamento, suas preocupações com a retirada e envolvê-lo ativamente na tomada de decisão e no plano de redução.
A suspensão abrupta de benzodiazepínicos pode precipitar uma síndrome de abstinência grave, caracterizada por ansiedade intensa, insônia, irritabilidade, tremores, convulsões e, em casos extremos, delírio. Por isso, a redução gradual e supervisionada é fundamental para minimizar esses riscos.
Um plano terapêutico integral considera não apenas o medicamento, mas também os aspectos psicossociais, emocionais e ambientais da vida do paciente. Isso pode incluir terapia cognitivo-comportamental, suporte psicossocial, mudanças no estilo de vida e manejo de estressores, oferecendo alternativas e suporte para que o paciente se sinta seguro durante o processo de desprescrição.
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