UEPA - Universidade do Estado do Pará - Santarém — Prova 2019
Maria dos Anjos, 25 anos, moradora do bairro Maicá, no município de Santarém, comparece à unidade básica de saúde com resultado de teste do pezinho de seu filho, João Pedro, de 6 meses de idade, que apresentou como resultado "HB-FAS". No mesmo dia foi ouvida pela enfermeira que avaliou ser necessária consulta com médico, uma vez que Maria estava extremamente nervosa e relatando medo de diagnóstico de câncer, anemia falciforme ou anemia que "virasse leucemia". Levando em consideração o fato de D. Maria ter sido atendida por profissional de enfermagem e medicina no mesmo dia na UBS, é correto afirmar que:
HB-FAS = Traço Falciforme (benigno). Abordagem Centrada na Pessoa prioriza medos e expectativas.
O resultado HB-FAS indica traço falciforme, uma condição benigna. O manejo deve focar na desmistificação e acolhimento do sofrimento psíquico da mãe, seguindo o Método Clínico Centrado na Pessoa.
A abordagem de resultados de triagem neonatal na Atenção Primária à Saúde (APS) exige competências que vão além da interpretação técnica. O traço falciforme (HbAS) é frequentemente confundido por leigos com a anemia falciforme (HbSS), gerando estigma e medo. O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) é a ferramenta padrão-ouro para lidar com essas situações, pois prioriza a experiência subjetiva do paciente (sentimentos, ideias, funções e expectativas). No contexto da APS, o acolhimento e a escuta qualificada permitem que a equipe de saúde identifique o sofrimento psíquico e intervenha de forma a fortalecer o vínculo e a confiança no sistema de saúde.
O resultado HB-FAS indica a presença de Hemoglobina Fetal (F), Hemoglobina Adulta normal (A) e Hemoglobina S (S). Isso caracteriza o traço falciforme (heterozigose HbAS), que não é uma doença, mas uma condição genética benigna. O indivíduo é portador do gene, mas não manifesta a anemia falciforme. É fundamental tranquilizar a família, explicando que não evolui para leucemia ou câncer e que a criança terá uma vida normal, necessitando apenas de aconselhamento genético futuro.
O MCCP baseia-se em quatro componentes principais: explorar a saúde, a doença e a experiência da pessoa com a doença; entender a pessoa como um todo; elaborar um plano conjunto de manejo; e intensificar a relação médico-pessoa. No caso de Maria, o foco deve ser na 'experiência da doença' (medo de câncer/leukemia), validando seus sentimentos e fornecendo informações claras para reduzir a ansiedade, em vez de apenas focar na interpretação técnica do exame.
A demanda espontânea refere-se ao atendimento de necessidades não agendadas que surgem na UBS, exigindo acolhimento e classificação de risco. Já o acesso avançado é um modelo de gestão de agenda que visa atender o paciente no dia em que ele procura o serviço ('fazer hoje o trabalho de hoje'), reduzindo filas de espera e aumentando a resolutividade, mas não obriga que todos os profissionais atendam o mesmo caso simultaneamente.
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