Método Clínico Centrado na Pessoa e Manejo da Dor na DRC

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Seu Joaquim, 64 anos, portador de Hipertensão Arterial Sistêmica e Doença Renal Crônica (estágio 3b, com ClCr estimado em 42 mL/min/1,73m²), comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor lombar crônica com exacerbação nas últimas três semanas. Durante a consulta, ele demonstra muita ansiedade e relata: "Doutor, essa dor parece um peso insuportável; tenho medo de não conseguir mais carregar as caixas no armazém e ser demitido, pois sou o único que traz dinheiro para casa". O paciente já faz uso de paracetamol 500mg de forma irregular, sem alívio satisfatório. Ao exame físico, apresenta dor à palpação da musculatura paravertebral lombar, sem déficits neurológicos ou outros sinais de alerta (red flags). Ele solicita enfaticamente a prescrição de um "anti-inflamatório dos fortes" para que possa retornar rapidamente à sua produtividade plena no trabalho. Com base no Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) e nos princípios da Atenção Primária à Saúde, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Prescrever Cloridrato de Tramadol associado ao paracetamol em horários fixos, focando na rápida analgesia para garantir o retorno laboral imediato, conforme solicitado pelo paciente.
  2. B) Prescrever um inibidor seletivo da COX-2 (Celecoxibe), explicando ao paciente que, por ser uma medicação mais moderna e seletiva, apresenta perfil de segurança renal superior aos anti-inflamatórios comuns.
  3. C) Encaminhar o paciente prontamente ao ortopedista e ao fisioterapeuta, uma vez que a cronicidade do quadro e o risco de desemprego configuram uma urgência social que extrapola a competência da Atenção Primária.
  4. D) Validar o sofrimento e o medo do paciente em relação ao emprego, pactuar um plano terapêutico que inclua medidas não farmacológicas e analgesia segura, evitando o uso de anti-inflamatórios devido ao risco renal.

Pérola Clínica

MCCP = Validar sentimentos + Pactuar plano + Segurança clínica (evitar AINEs na DRC).

Resumo-Chave

O manejo da dor na DRC exige cautela farmacológica (evitar AINEs) e uma abordagem centrada na pessoa para abordar medos e expectativas sociais.

Contexto Educacional

O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) é o padrão-ouro na Atenção Primária à Saúde, permitindo que o médico vá além do diagnóstico biológico e compreenda a 'experiência da doença' (illness). No caso de Seu Joaquim, a dor lombar está intrinsecamente ligada à ansiedade pelo sustento familiar, o que amplifica a percepção dolorosa. Clinicamente, a presença de Doença Renal Crônica estágio 3b impõe uma contraindicação ao uso de AINEs, incluindo os inibidores de COX-2, que não são mais seguros para o parênquima renal do que os não seletivos. A conduta correta exige habilidades de comunicação para validar o sofrimento do paciente, explicar os riscos da medicação solicitada e construir um plano terapêutico compartilhado que priorize a segurança renal e a funcionalidade.

Perguntas Frequentes

Por que evitar AINEs em pacientes com DRC estágio 3b?

Pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) estágio 3b (ClCr entre 30-44 mL/min) possuem reserva funcional renal reduzida. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) inibem a síntese de prostaglandinas, que são essenciais para manter a vasodilatação da arteríola aferente e o fluxo sanguíneo renal. O uso de AINEs nesses pacientes pode levar à vasoconstrição aguda, queda abrupta da taxa de filtração glomerular e progressão da doença renal.

Quais são os quatro componentes do Método Clínico Centrado na Pessoa?

O MCCP baseia-se em: 1) Explorar a saúde, a doença e a experiência da pessoa (sentimentos, ideias, função e expectativas); 2) Entender a pessoa como um todo (contexto individual, familiar e social); 3) Elaborar um plano conjunto de manejo (pactuação e metas comuns); e 4) Intensificar a relação entre a pessoa e o médico (vínculo e confiança).

Como manejar a dor lombar crônica na APS sem usar AINEs?

O manejo deve ser multimodal. Utiliza-se analgésicos simples e pode-se considerar opioides fracos com ajuste de dose. No entanto, as medidas não farmacológicas são fundamentais: exercícios terapêuticos, fisioterapia e abordagem psicossocial. A educação do paciente sobre os riscos dos AINEs e a pactuação de metas realistas de retorno ao trabalho são essenciais para a segurança e adesão.

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