FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Homem de 64 anos, diabético, em uso de metformina 1000 mg/dia, sem outras comorbidades, procura atendimento com sua médica de família e comunidade em sua UBS (Unidade Básica de Saúde) e queixa-se de cansaço, sonolência, boca seca, perda de peso e dificuldade para ter relações sexuais com a esposa. A médica revê o prontuário e identifica que o paciente tem exames do mês anterior com a única alteração sendo de sua hemoglobina glicada no valor de 14,5%. Em consultas anteriores a médica já havia captado que ele tem certa resistência ao uso da insulina, e quando retoma o assunto do resultado do exame, ele diz "insulina não, doutora, depois que minha finada mãe começou com a insulina, tudo desandou, fez até diálise!". Considerando o método clínico centrado na pessoa e as diretrizes clínicas para manejo de diabetes mellitus, assinale a alternativa que corresponde com a correta condução do caso:
HbA1c > 10% + Sintomas catabólicos → Insulina + Decisão Compartilhada (MCCP).
Pacientes com descompensação grave (HbA1c 14,5%) e sintomas catabólicos necessitam de insulina. O MCCP preconiza explorar medos e pactuar o tratamento para garantir adesão.
O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) é a base da Medicina de Família e Comunidade. Ele se divide em quatro componentes: explorar a saúde, a doença e a experiência da pessoa; entender a pessoa como um todo; elaborar um plano conjunto de manejo; e intensificar a relação médico-pessoa. No manejo de doenças crônicas como o Diabetes Mellitus, a adesão depende diretamente da compreensão do paciente sobre sua condição. No caso de um paciente com HbA1c de 14,5% e sintomas catabólicos, a indicação técnica de insulina é absoluta para evitar complicações agudas. No entanto, a resistência do paciente, baseada em traumas familiares, deve ser acolhida. A conduta correta envolve validar esses sentimentos, explicar a fisiopatologia de forma simples e pactuar o início do tratamento através de uma decisão compartilhada, garantindo que o paciente se sinta parte do processo e não apenas um receptor de ordens.
É um modelo de atendimento que busca entender a pessoa como um todo, integrando a doença (biológico) com a experiência da doença (sentimentos, ideias, expectativas e impacto na função). O objetivo é fortalecer a relação médico-paciente e elaborar um plano de manejo comum.
A insulina é indicada em casos de falha terapêutica com medicamentos orais, HbA1c muito elevada (geralmente > 9-10%) ou quando há sintomas claros de catabolismo, como perda de peso inexplicada, poliúria e polidipsia intensas.
Deve-se explorar as experiências prévias do paciente (como o caso familiar citado), desmistificar que a insulina é o 'fim da linha' ou causa de complicações, e explicar que ela é uma ferramenta para prevenir os danos que a glicemia alta causa.
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