UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022
Mulher com 48 anos, negra, solteira, relata ter perdido o pai falecido recentemente devido à covid-19. Procurou a UBS com queixa de cefaleia e formigamento nos pés; refere ter diabetes e que nem sempre usa as medicações corretamente. Sabe que precisa fazer dieta e realizar atividade física, mas não tem vontade para fazer nada desde a morte do pai. O exame físico evidenciou: IMC = 32, PA = 150 x 90mmHg e varizes de membros inferiores. A conduta do médico foi prescrever as medicações e marcar o retorno para 60 dias Considerando a utilização do método clínico centrado na pessoa, nesse caso, é correto afirmar que:
MCCP → melhora adesão, cuidado preventivo, e aproveita cada consulta para promoção da saúde, considerando a pessoa em sua totalidade.
O método clínico centrado na pessoa vai além da doença, considerando a experiência do paciente com a enfermidade, seu contexto de vida, emoções e expectativas. Essa abordagem integral fortalece o vínculo, melhora a comunicação e, consequentemente, a adesão ao tratamento e o autocuidado.
O Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) é uma abordagem que busca ir além da doença, focando na pessoa como um todo, em seu contexto de vida, suas experiências, sentimentos e expectativas. Ele se baseia em seis componentes: explorar a doença e a experiência da doença, entender a pessoa como um todo, encontrar um terreno comum para o plano de manejo, incorporar a prevenção e a promoção da saúde, intensificar o relacionamento médico-paciente e ser realista. A importância clínica reside na construção de um vínculo mais forte e na compreensão das necessidades individuais do paciente. No caso apresentado, a paciente possui múltiplos fatores que influenciam sua saúde: diabetes e hipertensão com baixa adesão, obesidade, e um luto recente que afeta sua motivação e bem-estar emocional. A fisiopatologia de suas condições crônicas é complexa, mas a não adesão ao tratamento e a falta de atividade física agravam o quadro. O MCCP permite ao médico explorar não apenas os sintomas físicos (cefaleia, formigamento), mas também o impacto do luto e da falta de vontade, que são barreiras significativas para o autocuidado. A aplicação do MCCP envolve uma escuta ativa, empatia e a construção de um plano terapêutico compartilhado. Ao invés de apenas prescrever medicações, o médico que utiliza o MCCP buscará entender as razões da não adesão, oferecer suporte para o luto e negociar metas realistas de tratamento e mudança de estilo de vida. Essa abordagem integral não só melhora a adesão e o controle das doenças crônicas, mas também promove a saúde de forma mais ampla, transformando cada encontro em uma oportunidade de cuidado contínuo e preventivo.
Os componentes incluem explorar a doença e a experiência da doença, entender a pessoa como um todo, encontrar um terreno comum, incorporar prevenção e promoção da saúde, intensificar o relacionamento e ser realista.
Ao considerar o contexto de vida, as emoções e as expectativas do paciente, o MCCP fortalece o vínculo médico-paciente, melhora a comunicação e a compreensão do plano terapêutico, aumentando a adesão.
O MCCP é particularmente relevante em pacientes com doenças crônicas, múltiplas comorbidades, questões psicossociais complexas (como luto) e baixa adesão, onde a abordagem integral é fundamental.
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