IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025
Indique o mecanismo de ação do metilfenidato, um dos medicamentos mais comumente utilizados no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em crianças:
Metilfenidato → Bloqueio dos transportadores de Dopamina (DAT) e Noradrenalina (NET) → ↑ Catecolaminas na fenda.
O metilfenidato atua aumentando a disponibilidade sináptica de dopamina e noradrenalina, principalmente no córtex pré-frontal, o que modula os circuitos de atenção e controle inibitório no TDAH.
O metilfenidato é o tratamento de primeira linha para o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em crianças e adultos. Sua eficácia é atribuída à sua capacidade de inibir seletivamente a recaptação de dopamina e noradrenalina. Ao contrário de outros estimulantes, ele tem pouca afinidade pelos transportadores de serotonina. Clinicamente, o medicamento está disponível em formulações de liberação imediata e liberação prolongada (como o sistema OROS). A escolha da formulação depende do perfil do paciente e da necessidade de cobertura dos sintomas ao longo do dia escolar ou de trabalho. A compreensão do seu mecanismo farmacológico é essencial para diferenciar sua ação de outros psicofármacos, como os antidepressivos ou antipsicóticos, que atuam em sistemas de neurotransmissores distintos.
Embora ambos sejam psicoestimulantes usados no TDAH, seus mecanismos de ação possuem distinções importantes. O metilfenidato atua primariamente bloqueando os transportadores de recaptação de dopamina (DAT) e noradrenalina (NET), impedindo que esses neurotransmissores retornem ao neurônio pré-sináptico. Já as anfetaminas, além de bloquearem a recaptação, também estimulam a liberação direta de dopamina das vesículas sinápticas para o citosol e, através da inversão do transportador DAT, para a fenda sináptica. Isso torna as anfetaminas potencialmente mais potentes em aumentar os níveis de dopamina, mas também com um perfil de efeitos colaterais e risco de abuso ligeiramente distinto.
O córtex pré-frontal (CPF) é responsável pelas funções executivas, como atenção sustentada, memória de trabalho e controle de impulsos. A neurobiologia do TDAH sugere uma desregulação nas vias de catecolaminas nessa região. A dopamina no CPF modula a 'relação sinal-ruído', ajudando a focar no estímulo relevante, enquanto a noradrenalina aumenta a força do sinal sináptico. O metilfenidato, ao aumentar a disponibilidade de ambos na fenda sináptica, otimiza o funcionamento desses circuitos, permitindo que a criança com TDAH tenha melhor desempenho cognitivo e comportamental.
Devido ao seu efeito estimulante adrenérgico e dopaminérgico, os efeitos colaterais mais comuns incluem insônia (especialmente se tomado tarde), redução do apetite, perda de peso, irritabilidade, cefaleia e dor abdominal. Em termos cardiovasculares, pode haver um leve aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, o que geralmente não é clinicamente significativo em crianças saudáveis, mas requer monitoramento. Efeitos menos comuns incluem tiques motores e, raramente, alterações psicóticas em pacientes predispostos. O monitoramento do crescimento (peso e altura) é uma prática padrão no acompanhamento de longo prazo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo