HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025
Paciente feminina, 47 anos, peso 75 kg, estatura 1,50 m. Vem sendo acompanhada ambulatorialmente por DM2 em uso de metformina 1000 mg 2x ao dia há 5 anos. Relata certo desânimo, fadiga e dor abdominal ocasional. Exames laboratoriais mostram glicemia de jejum 110 mg/dL, hemoglobina glicada de 7,4%, TGO/TGP discretamente elevados, sem consumo de álcool ou outras condições que justifiquem os achados. Ultrassonografia abdominal revela aumento difuso da ecogenicidade hepática, compatível com esteatose. Não há sinais de cirrose. Considerando o tempo de uso da metformina, a paciente acima tem indicação de suplementação de qual nutriente abaixo?
Uso prolongado de metformina → risco de deficiência de Vitamina B12; considerar suplementação.
O uso crônico de metformina, um medicamento comum para diabetes tipo 2, pode levar à má absorção e consequente deficiência de vitamina B12. É crucial monitorar os níveis de B12 em pacientes em uso prolongado e considerar a suplementação para prevenir complicações neurológicas e hematológicas.
A metformina é a medicação de primeira linha para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, amplamente utilizada devido à sua eficácia na redução da glicemia e baixo risco de hipoglicemia. No entanto, o uso prolongado da metformina tem sido associado à deficiência de vitamina B12 (cobalamina), uma condição que pode ter sérias implicações para a saúde do paciente, especialmente em relação ao sistema nervoso e hematológico. A prevalência dessa deficiência em usuários de metformina varia, mas é um achado clinicamente relevante que exige atenção. O mecanismo exato pelo qual a metformina causa a deficiência de B12 não é totalmente compreendido, mas acredita-se que envolva a interferência na absorção da vitamina no íleo terminal, possivelmente por alteração da motilidade intestinal, proliferação bacteriana ou interação com o fator intrínseco. Os sintomas da deficiência de B12 podem ser insidiosos e inespecíficos, como fadiga e fraqueza, mas podem progredir para anemia megaloblástica e neuropatia periférica, que pode ser confundida com a neuropatia diabética, atrasando o diagnóstico e tratamento correto. Portanto, é fundamental que os profissionais de saúde estejam cientes dessa associação e considerem o rastreamento periódico dos níveis de vitamina B12 em pacientes em uso prolongado de metformina, especialmente aqueles com sintomas neurológicos ou hematológicos inexplicáveis. A suplementação oral ou injetável de vitamina B12 é um tratamento simples e eficaz que pode prevenir ou reverter as complicações da deficiência, melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes diabéticos.
A metformina pode interferir na absorção da vitamina B12 no íleo terminal, possivelmente alterando a função do fator intrínseco ou a motilidade intestinal, levando à má absorção e, consequentemente, à deficiência em uso prolongado.
Os sintomas incluem anemia megaloblástica (fadiga, palidez), neuropatia periférica (parestesias, dormência, fraqueza), glossite, e em casos graves, alterações cognitivas e psiquiátricas.
A suplementação deve ser considerada em pacientes com uso prolongado de metformina, especialmente se apresentarem sintomas de deficiência ou níveis séricos baixos de B12. O rastreamento anual ou bienal dos níveis de B12 é recomendado para esses pacientes.
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