PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023
Mulher de 64 anos, com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) há 15 anos. Tem hipertensão arterial há 20 anos. Peso 85kg, IMC: 31,6 kg/m2, PA: 142x98 mmHg. Sem emagrecimento recente. Não aderente à dieta. Comparece à UBS em consulta de rotina, trazendo, dentre outros exames, glicemia de jejum 235 mg/dL, hemoglobina glicada 8,4% e creatinina 1,5 mg/dL (CKD-EPI 38,1 mL/ min/1.73m²). Em uso de Losartana 50mg 2x ao dia, Metformina XR 2gr/dia, Gliclazida MR 60 mg/dia. O médico assistente altera o tratamento da hipertensão e orienta quanto às mudanças de hábitos de vida. Em relação ao diabetes, recomenda-se
DM2 + DRC G3b (TFG 30-45) → reduzir Metformina dose; Gliclazida MR pode ser mantida com cautela.
Em pacientes com DM2 e doença renal crônica estágio G3b, a metformina deve ter sua dose reduzida devido ao risco de acidose láctica. A gliclazida MR pode ser mantida, mas com monitoramento rigoroso, pois seu metabolismo e excreção são menos dependentes da função renal do que outras sulfonilureias.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) é um desafio clínico significativo, exigindo ajustes na terapia hipoglicemiante para otimizar o controle glicêmico e minimizar riscos. A DRC é uma complicação comum do DM2, e a função renal comprometida altera a farmacocinética de muitos medicamentos. A metformina, um dos pilares do tratamento do DM2, é excretada pelos rins e seu acúmulo em pacientes com DRC pode levar à acidose láctica, uma complicação grave. Por isso, a dose de metformina deve ser ajustada conforme a taxa de filtração glomerular (TFG), sendo contraindicada em TFG < 30 mL/min/1.73m² e com dose máxima reduzida para 1g/dia em TFG entre 30-45 mL/min/1.73m². A gliclazida de liberação modificada (MR), uma sulfonilureia, possui um perfil mais favorável em pacientes com DRC em comparação com outras sulfonilureias, pois seus metabólitos são inativos e o risco de hipoglicemia é menor. No entanto, a monitorização é sempre necessária. A decisão de manter ou ajustar a gliclazida deve considerar o controle glicêmico atual do paciente (HbA1c de 8,4% indica necessidade de otimização) e o risco de hipoglicemia. A abordagem terapêutica deve ser individualizada, visando um controle glicêmico adequado sem aumentar o risco de eventos adversos, especialmente a hipoglicemia, que pode ser mais perigosa em pacientes com DRC e idosos.
A metformina é contraindicada se a TFG for < 30 mL/min/1.73m². Se a TFG estiver entre 30-45 mL/min/1.73m² (DRC estágio G3b), a dose máxima deve ser reduzida pela metade (ex: 1g/dia), e o paciente deve ser monitorado de perto.
Sim, a gliclazida MR pode ser usada com cautela em pacientes com disfunção renal leve a moderada, pois seus metabólitos são inativos e sua excreção é menos dependente da função renal em comparação com outras sulfonilureias, diminuindo o risco de hipoglicemia.
Os objetivos de controle glicêmico em pacientes idosos com DM2 e DRC devem ser individualizados, geralmente com metas de HbA1c menos rigorosas (ex: 7,5-8,0%) para evitar hipoglicemia, que pode ser mais perigosa nessa população.
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