HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2020
Em relação a metástases hepáticas de tumores neuroendócrinos:
Transplante hepático para metástases de NET: opção em casos selecionados, após falha terapêutica, sem doença extra-hepática e tumor bem diferenciado.
O transplante de fígado para metástases hepáticas de tumores neuroendócrinos é uma opção terapêutica radical e de resgate, reservada para pacientes altamente selecionados. As indicações são estritas, incluindo doença bem diferenciada, ausência de doença extra-hepática e falha de outras modalidades de tratamento, visando melhorar a sobrevida e a qualidade de vida.
Os tumores neuroendócrinos (NETs) são neoplasias heterogêneas que podem surgir em diversos órgãos, sendo o trato gastrointestinal e o pâncreas os mais comuns. As metástases hepáticas são frequentes e representam o principal fator prognóstico negativo, sendo a causa mais comum de morbidade e mortalidade nesses pacientes. O manejo das metástases hepáticas de NET é complexo e multidisciplinar, envolvendo diversas modalidades terapêuticas. O diagnóstico das metástases hepáticas geralmente envolve exames de imagem como tomografia computadorizada, ressonância magnética e, mais especificamente, PET/CT com análogos de somatostatina (ex: Ga-68 DOTATATE), que possuem alta sensibilidade para detectar a expressão de receptores de somatostatina nas células tumorais. O tratamento pode incluir cirurgia (ressecção hepática), terapias locorregionais (quimioembolização, radioembolização, ablação por radiofrequência), terapias sistêmicas (análogos de somatostatina, inibidores de tirosina quinase, everolimus, quimioterapia) e, em casos muito selecionados, o transplante hepático. O transplante de fígado para metástases hepáticas de NET é uma opção de tratamento de resgate para pacientes com doença hepática extensa e não ressecável, que falharam a outras terapias. As indicações são extremamente rigorosas e incluem doença bem diferenciada, ausência de metástases extra-hepáticas, e um tempo de espera em lista de transplante que não comprometa o prognóstico. A seleção cuidadosa dos pacientes é crucial para otimizar os resultados e garantir a alocação adequada de um órgão.
Os locais mais comuns de origem para tumores neuroendócrinos que desenvolvem metástases hepáticas são o intestino delgado (íleo) e o pâncreas. Outros locais incluem o pulmão e o estômago, mas o apêndice é menos frequente para metástases hepáticas significativas.
A ressecção hepática é indicada para metástases de NETs quando a doença é ressecável, o tumor primário é controlado ou ressecado, e o paciente tem bom status de performance. O objetivo é reduzir a carga tumoral, controlar sintomas (como na síndrome carcinoide) e melhorar a sobrevida, mesmo em casos de doença multifocal.
Os critérios são rigorosos e incluem tumores neuroendócrinos bem diferenciados, ausência de doença extra-hepática (metástases distantes), controle do tumor primário, falha ou esgotamento de outras opções terapêuticas, e um bom status funcional do paciente. É uma opção de resgate em centros especializados.
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