UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020
Paciente, 62 anos de idade, sexo masculino, foi submetido há 6 meses à hemicolectomia direita por adenocarcinoma de cólon. Durante o acompanhamento pós- operatório, o exame de tomografia de abdome mostra lesões hepáticas compatíveis com metástases de câncer colorretal em ambos os lobos hepáticos. Nesse caso, a melhor conduta é:
Metástases hepáticas colorretais bilaterais: quimioterapia neoadjuvante + ressecção hepática para ressecabilidade.
Em metástases hepáticas bilaterais de câncer colorretal, a quimioterapia neoadjuvante (sistêmica ou quimioembolização) é frequentemente a primeira linha para reduzir o tamanho das lesões e aumentar a ressecabilidade, seguida pela cirurgia hepática. O objetivo é converter lesões irressecáveis em ressecáveis.
O manejo de metástases hepáticas de câncer colorretal (MHCCR) é um dos maiores desafios na oncologia gastrointestinal, sendo o fígado o local mais comum de metástases à distância. A presença de MHCCR bilateral não implica necessariamente em incurabilidade, e a abordagem terapêutica tem evoluído significativamente, com foco em estratégias multimodais que visam a ressecabilidade e a cura em pacientes selecionados. A decisão de tratamento deve ser discutida em um comitê multidisciplinar. A quimioterapia neoadjuvante, seja sistêmica ou por quimioembolização intra-arterial, desempenha um papel crucial. Ela busca reduzir o volume tumoral, controlar a doença sistêmica e, principalmente, converter lesões inicialmente irressecáveis em ressecáveis, permitindo uma cirurgia curativa. A resposta à quimioterapia também fornece informações prognósticas importantes. Após a quimioterapia, uma reavaliação cuidadosa com exames de imagem é essencial para determinar a viabilidade da ressecção hepática. A ressecção hepática, quando possível, oferece a melhor chance de cura a longo prazo para pacientes com MHCCR. A cirurgia deve ser realizada por equipes experientes, com foco na remoção completa das lesões com margens livres, preservando o máximo de parênquima hepático funcional. Mesmo em casos complexos, técnicas como hepatectomias em dois estágios ou ablação intraoperatória podem ser empregadas. O acompanhamento pós-operatório é fundamental para detectar recidivas e planejar intervenções adicionais.
A ressecção hepática é indicada quando as metástases são ressecáveis, ou seja, quando é possível remover todas as lesões com margens livres, preservando volume hepático suficiente e sem doença extra-hepática incontrolável.
A quimioterapia neoadjuvante tem o objetivo de reduzir o tamanho das metástases, controlar a doença sistêmica, avaliar a biologia tumoral e, em alguns casos, converter lesões inicialmente irressecáveis em ressecáveis, aumentando as chances de cura cirúrgica.
Para metástases irressecáveis, as opções incluem quimioterapia sistêmica paliativa, terapias locorregionais como quimioembolização, radioembolização (TARE) ou ablação por radiofrequência, visando controle da doença e melhora da qualidade de vida.
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