HPM - Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais — Prova 2020
Um homem de 73 anos vai ao pronto-atendimento queixando-se de cefaleia matinal bifrontal em pressão e dificuldade para deambular há 6 dias. É portador de carcinoma broncogênico pulmonar com metástases hepáticas e ósseas. Não possui outras doenças. Era independente para a realização das atividades básicas de vida diária até 6 dias antes. Está em quimioterapia paliativa e não faz uso de outros medicamentos. Ao exame físico, apresenta-se muito emagrecido, alerta, desorientado no tempo e no espaço. As mucosas são coradas e hidratadas. Os dados vitais são PA 126/70mmHg, FC 76bpm, FR 17ipm, SpO2 em ar ambiente 98%, Tax 36,7°C. O exame neurológico revela força grau 3/5 no membro superior direito e no membro inferior direito, sinal de Tröemner presente à direita e reflexo cutâneo-plantar extensor à direita. Reflexos bicipital, patelar e aquileu grau 3/5 à direita e 2/5 à esquerda. Apresenta dismetria à esquerda. Sem outras anormalidades ao exame físico. Exames de laboratório: hemoglobina 9,9g/dL (VR 13,5-17,5g/dL); leucócitos 6.350/mm³ (VR 4.000-11.000/mm³); neutrófilos 4.800/mm³ (VR 1.500-7.000/mm³); plaquetas 170.000/mm³ (VR 150.000-450.000/mm³); AST 51U/L (VR<30U/L); ALT 59U/L (VR<30U/L); fosfatase alcalina 135U/L (VR 60-125U/L); RNI 1,1 (VR<1,3); bilirrubina total 1,8mg/dL (VR<1,2mg/dL); bilirrubina direta 1,3mg/dL (VR<0,4mg/dL); creatinina 0,7mg/dL (VR 0,6-1,2 mg/dL); cálcio total 7,9 mg/dL (VR 8,8-10,3mg/dL); potássio 4,2mEq/L (VR 3,5-5,5mEq/L); sódio 129mEq/L (VR 135-145mEq/L); albumina 2,0g/dL (VR 3,5-5,5g/dL). Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica MAIS PROVÁVEL para o surgimento dos sintomas neurológicos deste paciente e a conduta MAIS ADEQUADA.
Paciente oncológico com novos déficits neurológicos focais → suspeitar metástases cerebrais; RM crânio com contraste é prioritária.
Em pacientes com câncer avançado e múltiplos sítios metastáticos, o surgimento de novos sintomas neurológicos focais (como hemiparesia, sinais de liberação frontal, dismetria) e cefaleia matinal é altamente sugestivo de metástases cerebrais. A ressonância magnética do crânio com contraste é o exame de imagem mais sensível para detectar essas lesões e guiar a conduta.
As metástases cerebrais representam uma complicação grave e relativamente comum em pacientes com câncer avançado, especialmente aqueles com tumores primários de pulmão, mama, melanoma e rim. A sua presença impacta significativamente a qualidade de vida e o prognóstico do paciente, tornando o diagnóstico precoce e o manejo adequado cruciais. Os sintomas neurológicos podem ser variados, desde cefaleia e convulsões até déficits focais como hemiparesia, afasia ou alterações visuais, dependendo da localização e tamanho das lesões. A suspeita clínica é alta em pacientes oncológicos com novos sintomas neurológicos, e a investigação deve ser prontamente iniciada. A ressonância magnética do crânio com contraste é o padrão-ouro para o diagnóstico. O tratamento pode incluir corticosteroides para reduzir o edema peritumoral, radioterapia (radiocirurgia estereotática ou radioterapia de todo o encéfalo), cirurgia para lesões únicas e acessíveis, ou quimioterapia sistêmica, dependendo do número, tamanho e localização das metástases, bem como do estado geral do paciente.
Os sintomas variam conforme a localização, mas incluem cefaleia (especialmente matinal), náuseas/vômitos, convulsões, déficits neurológicos focais (fraqueza, alterações sensoriais, afasia) e alterações cognitivas ou de personalidade.
A ressonância magnética (RM) do crânio com contraste é o exame mais sensível e específico para detectar metástases cerebrais, superando a tomografia computadorizada.
Embora presentes, a hiponatremia e a encefalopatia hepática geralmente causam sintomas neurológicos mais difusos (alteração de consciência, asterixis) e menos focais (como hemiparesia ou sinais de liberação frontal), que são mais característicos de lesões estruturais como metástases.
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