Metástases Osteoblásticas e Câncer de Próstata: Diagnóstico

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026

Enunciado

O.L.S., sexo masculino, 72 anos, referindo quadro de dor lombar e fraqueza progressiva em membros inferiores, evoluindo para impossibilidade de deambular nos últimos três dias. Ao exame físico, nota-se força muscular muito reduzida em membros inferiores, gerando movimento sem vencer a gravidade, e com nível sensitivo na altura de T11. A radiografia da coluna torácica evidencia múltiplas lesões osteoblásticas com erosão de pedículos vertebrais. Nesse caso, o exame que mais provavelmente auxiliará na investigação etiológica inicial é:

Alternativas

  1. A) Radiografia de tórax.
  2. B) Ultrassonografia de tireoide.
  3. C) Antígeno prostático específico.
  4. D) Eletroforese de proteínas séricas.
  5. E) alfa feto proteína.

Pérola Clínica

Idoso + Lesão osteoblástica + Nível sensitivo → Pensar em Câncer de Próstata (solicitar PSA).

Resumo-Chave

Lesões osteoblásticas (escleróticas) em homens idosos com sinais de compressão medular são altamente sugestivas de metástase de câncer de próstata, exigindo PSA imediato.

Contexto Educacional

A Síndrome de Compressão Medular Neoplásica (SCMN) é uma das complicações mais temidas das metástases ósseas. No idoso, a tríade de dor lombar 'em faixa', fraqueza progressiva de membros inferiores e nível sensitivo (neste caso T11) deve disparar o alerta para compressão de medula torácica. A radiografia mostrando erosão de pedículos vertebrais é um sinal clássico de infiltração neoplásica do arco posterior da vértebra. Enquanto o câncer de pulmão e o mieloma múltiplo costumam gerar lesões radiolúcidas (líticas), o câncer de próstata estimula a formação óssea aberrante, resultando em lesões radiopacas (blásticas). O diagnóstico etiológico inicial baseia-se na história clínica, exame físico (incluindo toque retal) e dosagem de PSA. O tratamento imediato geralmente envolve corticoterapia em altas doses (dexametasona) para reduzir o edema vasogênico medular, seguido de descompressão cirúrgica ou radioterapia.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre lesões osteoblásticas e osteolíticas?

Lesões osteoblásticas (ou escleróticas) caracterizam-se pelo aumento da densidade óssea devido à atividade desordenada dos osteoblastos; o câncer de próstata é a causa clássica em homens. Já as lesões osteolíticas envolvem a destruição do tecido ósseo pelos osteoclastos, sendo comuns no mieloma múltiplo, câncer de pulmão e câncer de mama. A radiografia que mostra 'erosão de pedículos' (sinal da coruja caolha) associada a osso mais branco/denso aponta fortemente para etiologia blástica.

Como o câncer de próstata causa compressão medular?

O câncer de próstata tem um tropismo especial pelo esqueleto axial (coluna vertebral). As células tumorais atingem a coluna via plexo venoso de Batson ou via hematogênica. O crescimento da massa tumoral no espaço epidural ou o colapso de uma vértebra metastática comprime a medula espinhal ou as raízes nervosas, gerando a Síndrome de Compressão Medular Neoplásica, uma emergência oncológica que se manifesta com dor, déficit motor e nível sensitivo.

Por que o PSA é o exame inicial preferencial neste caso?

Em um paciente masculino de 72 anos com lesões blásticas, o câncer de próstata é a hipótese diagnóstica mais provável. O PSA (Antígeno Prostático Específico) é um marcador altamente sensível para o adenocarcinoma de próstata. Valores significativamente elevados em um contexto de metástase óssea confirmam virtualmente a origem do tumor primário, direcionando o tratamento para bloqueio hormonal e radioterapia de urgência para salvar a função neurológica.

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