Metástase Hepática Colorretal: Ressecção dos Segmentos II e III

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 68 anos com antecedente de adenocarcinoma de cólon descendente, tratado há 3 anos com colectomia parcial esquerda, sem intercorrências. Vem ao ambulatório com exame de seguimento que mostra apenas duas lesões metastáticas, restritas aos segmentos II e III do fígado, de 2 centímetros de diâmetro e sem acometimento vascular. Qual é a melhor alternativa cirúrgica após tratamento quimioterápico sistêmico?

Alternativas

  1. A) Quimioembolização portal seguida de hepatectomia esquerda ampliada.
  2. B) Hepatectomia lateral esquerda com controle intraoperatório por ultrassonografia.
  3. C) Quimioembolização portal seguida de hepatectomia direita ampliada.
  4. D) Hepatectomia lateral direita com controle intraoperatório por ultrassom.
  5. E) Prolongar a quimioterapia até o desaparecimento das metástases.

Pérola Clínica

Metástases em segmentos II e III do fígado → Hepatectomia lateral esquerda + USG intraoperatória.

Resumo-Chave

Metástases restritas aos segmentos II e III do fígado são classicamente tratadas com hepatectomia lateral esquerda (segmentectomia lateral esquerda ou hepatectomia esquerda anatômica). A ultrassonografia intraoperatória é crucial para confirmar a localização, avaliar margens e excluir lesões não identificadas em exames pré-operatórios.

Contexto Educacional

As metástases hepáticas colorretais representam a principal causa de morte em pacientes com câncer colorretal, sendo o fígado o sítio mais comum de metástases à distância. A ressecção cirúrgica é a única modalidade de tratamento que oferece chance de cura para esses pacientes, com taxas de sobrevida em 5 anos que podem variar de 30% a 50%. A seleção cuidadosa dos pacientes e o planejamento cirúrgico são cruciais para o sucesso. Para lesões restritas aos segmentos II e III do fígado, a abordagem cirúrgica padrão é a hepatectomia lateral esquerda (também conhecida como segmentectomia lateral esquerda ou hepatectomia esquerda anatômica). Esta ressecção envolve a remoção dos segmentos II e III, preservando o restante do parênquima hepático. A ultrassonografia intraoperatória desempenha um papel indispensável, permitindo a localização exata das lesões, a avaliação da relação com vasos importantes e a detecção de metástases menores não visíveis em exames pré-operatórios, garantindo margens cirúrgicas adequadas. O tratamento quimioterápico sistêmico pré-operatório (neoadjuvante) é frequentemente utilizado para reduzir o tamanho das metástases, permitir a avaliação da resposta tumoral e identificar pacientes com doença mais agressiva. A combinação de quimioterapia e cirurgia otimiza os resultados oncológicos, aumentando a taxa de ressecabilidade e a sobrevida. A decisão pela extensão da hepatectomia deve sempre buscar o equilíbrio entre a radicalidade oncológica e a preservação máxima do parênquima hepático funcional.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da ultrassonografia intraoperatória na hepatectomia?

A ultrassonografia intraoperatória é fundamental para localizar precisamente as lesões, avaliar a relação com estruturas vasculares, guiar a ressecção e identificar lesões adicionais não detectadas em exames pré-operatórios, otimizando a margem cirúrgica.

O que são os segmentos hepáticos II e III?

Os segmentos hepáticos II e III correspondem ao lobo hepático esquerdo lateral, sendo supridos por ramos da veia porta esquerda e artéria hepática esquerda, e drenados pelas veias hepáticas esquerdas, conforme a classificação de Couinaud.

Quando a hepatectomia é indicada para metástases hepáticas colorretais?

A hepatectomia é indicada quando as metástases são ressecáveis, o paciente tem bom estado geral, função hepática preservada e não há doença extra-hepática incontrolável. A ressecção completa é o principal fator prognóstico de cura.

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