Manejo de Metástases Hepáticas no Câncer Colorretal

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 60 anos, hipertenso controlado, com diagnóstico de neoplasia de sigmoide há 2 anos, não apresenta sinais de doença metastática, antígeno carcinoembrionário (CEA) = 10 ng/mL. Foi submetido na ocasião à retossigmoidectomia laparoscópica (anatomopatológico: pT3pN1a [1/27 linfonodos]). Recebeu quimioterapia adjuvante (5- FU, leucovorin e oxaliplatina) por 6 meses (CEA = 2,4 ng/mL). Exame de controle atual evidenciou a presença de nódulos hepáticos. Ao exame físico encontra-se em bom estado geral, eutrófico e sem alterações à palpação abdominal. Traz ressonância magnética com três nódulos periféricos hipovasculares, com restrição à difusão, dois no setor lateral esquerdo (medindo 2,2 cm e 2,4 cm), e um no segmento 6 medindo 3,7 cm, CEA = 94 ng/mL. Qual a conduta recomendada para esse caso?

Alternativas

  1. A) Trata-se de paciente com doença avançada e sem possibilidade de cura. Deve ser encaminhado para quimioterapia paliativa.
  2. B) A biópsia de uma das lesões hepáticas é essencial para a confirmação diagnóstica e definição da conduta.
  3. C) A ressecção das lesões hepáticas deve ser programada com urgência tendo em vista o risco de progressão e perda da ressecabilidade.
  4. D) O paciente deve ser encaminhado à quimioterapia e caso haja resposta favorável da doença, as lesões devem ser ressecadas.

Pérola Clínica

Metástases hepáticas colorretais → Quimioterapia perioperatória + Avaliação de ressecabilidade.

Resumo-Chave

Em metástases hepáticas de câncer colorretal, a quimioterapia sistêmica inicial permite avaliar a biologia tumoral e reduzir o volume da doença, otimizando a ressecção cirúrgica curativa.

Contexto Educacional

O tratamento das metástases hepáticas de origem colorretal evoluiu de uma abordagem puramente paliativa para uma estratégia curativa em casos selecionados. A decisão terapêutica baseia-se na ressecabilidade técnica e na biologia tumoral. A quimioterapia sistêmica (geralmente esquemas com oxaliplatina ou irinotecano) desempenha papel crucial tanto na conversão de lesões inicialmente irressecáveis quanto na seleção de pacientes com melhor prognóstico biológico para a hepatectomia.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios de ressecabilidade para metástase hepática colorretal?

A ressecabilidade não é definida pelo número de lesões, mas pela capacidade de preservar pelo menos 20-30% de parênquima hepático funcional (remanescente hepático futuro) com drenagem venosa, aporte arterial e biliar preservados, além de garantir margens livres (R0).

Por que realizar quimioterapia antes da cirurgia hepática?

A quimioterapia perioperatória ou de conversão visa reduzir o tamanho das lesões, tratar micrometástases ocultas e avaliar a biologia tumoral (quimiosensibilidade). Pacientes que progridem sob quimioterapia apresentam pior prognóstico cirúrgico.

Qual o papel do CEA no seguimento pós-operatório?

O antígeno carcinoembrionário (CEA) é um marcador de acompanhamento. Elevações persistentes ou novas após a normalização pós-cirúrgica sugerem recidiva local ou metástases à distância, exigindo investigação por imagem (TC ou RM).

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