UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 52 a, previamente hígida, apresenta quadro de cefaléia e hemiparesia de membro superior esquerdo há 3 semanas. Não tem história de tabagismo nem antecedentes familiares relevantes. Exame físico: força membro superior esquerdo = 2/5, grau = 5 nos outros três membros. Sem alterações de pares cranianos. Tomografia de crânio = lesão arredondada de 4cm em lobo frontal direito, sugestiva de metástase. A paciente então é internada e a equipe assistente inicia corticoterapia e solicita a ressonância de crânio, que confirma metástase cerebral única. Tomografia de tórax: lesão pulmonar em lobo médio direito medindo = 4 cm, com linfonodomegalia hilar e mediastinal à direita. Tomografia de abdome = normal. A conduta é:
Metástase cerebral única + tumor primário ressecável/controlável → Ressecção cirúrgica da metástase.
A ressecção cirúrgica de uma metástase cerebral única melhora a sobrevida e a qualidade de vida, além de fornecer o diagnóstico histopatológico definitivo quando o primário é apenas presumido.
O tratamento de metástases cerebrais únicas em pacientes com bom status performance (KPS alto) prioriza a ressecção cirúrgica ou radiocirurgia estereotática. A cirurgia é preferível em lesões maiores (> 3 cm) ou com efeito de massa significativo, como no caso apresentado (lesão de 4 cm no lobo frontal). Além do benefício terapêutico imediato na redução da pressão intracraniana e melhora do déficit focal (hemiparesia), a cirurgia permite a confirmação histológica e molecular da neoplasia. Isso é fundamental no câncer de pulmão, onde mutações específicas podem direcionar terapias-alvo. Após a resolução da lesão cerebral, o estadiamento e tratamento do tumor primário pulmonar prosseguem conforme o protocolo oncológico.
Em casos de metástase única, a ressecção cirúrgica oferece controle local rápido, alívio de sintomas neurológicos e, crucialmente, confirmação histopatológica da doença, o que guiará o tratamento sistêmico do tumor primário.
A corticoterapia (geralmente dexametasona) é iniciada para reduzir o edema vasogênico perilesional, melhorando os déficits neurológicos e reduzindo a pressão intracraniana enquanto se planeja a intervenção definitiva.
A cirurgia é menos favorável em pacientes com múltiplas metástases, doença sistêmica fora de controle, lesões em áreas eloquentes de difícil acesso ou baixo status de performance (KPS baixo).
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