Metas Pressóricas na Hipertensão com DAC e AVC

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2023

Enunciado

Com relação ao impacto da Hipertensão Arterial nas Doenças Cardiovasculares, é incorreto afirmar: (DIRETRIZES BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL – 2020).

Alternativas

  1. A) O dano vascular ocorre não apenas em hipertensos, mas pode estar presente também nos préhipertensos. Há exames não invasivos para a avaliação precoce do dano vascular, mas nem sempre eles estão disponíveis
  2. B) No hipertenso com doença arterial coronariana e episódio prévio de acidente vascular cerebral, a meta terapêutica é obter PA<140/90 mmHg, mas a PA diastólica deve ser mantida com valores acima de 80 mmHg.
  3. C) Pressão arterial acima 120 mmHg aumenta o dano vascular e o risco cardiovascular.
  4. D) Pacientes com hipertensão estágio 3, ≥ 180/110 mmHg, devem ser considerados hipertensos e iniciar o tratamento, sem a necessidade de investigação com MAPA/MRPA para descartar hipertensão do avental branco/mascarada.
  5. E) Recomenda-se que a PA seja classificada como ótima, normal, pré-hipertensão ou estágios 1 a 3, de acordo com a PA do consultório.

Pérola Clínica

Hipertenso com DAC/AVC: Meta PA < 130/80 mmHg. Manter PAD > 70 mmHg para evitar hipoperfusão coronariana.

Resumo-Chave

Em pacientes hipertensos com doença arterial coronariana (DAC) e/ou AVC prévio, as metas pressóricas são mais rigorosas, geralmente < 130/80 mmHg. Manter a pressão diastólica acima de 80 mmHg é incorreto, pois o limite inferior para evitar hipoperfusão coronariana é geralmente 60-70 mmHg.

Contexto Educacional

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um dos principais fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares (DCV), incluindo doença arterial coronariana (DAC), acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial de 2020 enfatizam a importância do controle pressórico rigoroso, especialmente em pacientes de alto risco, para reduzir a morbimortalidade associada. O impacto da HAS no sistema cardiovascular é progressivo, começando com disfunção endotelial e rigidez arterial mesmo em estágios de pré-hipertensão. Em pacientes com DCV estabelecida, como DAC ou histórico de AVC, as metas de tratamento são mais ambiciosas. A fisiopatologia envolve o estresse hemodinâmico crônico sobre as paredes dos vasos, levando a aterosclerose e remodelamento vascular. O tratamento da HAS em pacientes com DAC e AVC prévio exige uma abordagem individualizada. As metas pressóricas para esses pacientes são tipicamente mais baixas, visando PA < 130/80 mmHg, se tolerado. No entanto, é crucial monitorar a pressão arterial diastólica (PAD), pois uma redução excessiva (geralmente abaixo de 60-70 mmHg) pode comprometer a perfusão coronariana e cerebral, aumentando o risco de eventos isquêmicos. A classificação da PA e o início do tratamento devem seguir as diretrizes, com a MAPA/MRPA sendo importante para confirmar o diagnóstico em casos de PA limítrofe, mas dispensável em hipertensão estágio 3 ou com lesão de órgão-alvo.

Perguntas Frequentes

Quais são as metas de pressão arterial para pacientes hipertensos com doença arterial coronariana (DAC)?

Para pacientes hipertensos com DAC, as diretrizes geralmente recomendam metas mais rigorosas, como PA < 130/80 mmHg, desde que bem tolerado. É crucial evitar quedas excessivas da pressão diastólica para não comprometer a perfusão coronariana.

Qual o impacto da pressão arterial diastólica na doença coronariana?

A pressão arterial diastólica é fundamental para a perfusão das artérias coronárias, que ocorre principalmente durante a diástole. Uma queda excessiva da PAD (abaixo de 60-70 mmHg) pode levar à isquemia miocárdica, especialmente em pacientes com DAC.

Quando a MAPA/MRPA é dispensável para o diagnóstico de hipertensão?

Em pacientes com hipertensão estágio 3 (PA ≥ 180/110 mmHg) ou com PA ≥ 140/90 mmHg e evidência de lesão de órgão-alvo ou doença cardiovascular estabelecida, o diagnóstico de hipertensão é confirmado e o tratamento deve ser iniciado sem a necessidade de MAPA/MRPA para descartar hipertensão do avental branco/mascarada.

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