Santa Casa de Goiânia (GO) — Prova 2015
Mulher de 62 anos de idade procura o seu consultório para consulta de rotina. Refere estar sentindo-se bem, sem queixas. Apresenta antecedentes de hipertensão arterial, diabetes mellitus e colocação de stent para artéria coronária direita há dois anos. Exame clínico: PA = 150 x 90 mmHg, FC = 72 bpm, IMC = 32 kg/m². Coração: bulhas rítmicas, sem sopros. Pulmões: murmúrios vesiculares simétricos sem ruídos adventícios. Medicações em uso: losartana = 50 mg duas vezes ao dia; metformina = 850 mg duas vezes ao dia; AAS = 100 mg ao dia. Quais as metas a serem atingidas para esta paciente em relação à pressão arterial e nível de LDL-colesterol?
Paciente com HAS, DM e DAC (stent) → Metas agressivas: PA < 130/80 mmHg e LDL < 70 mg/dL.
Pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes mellitus e doença arterial coronariana estabelecida (pós-stent), são considerados de altíssimo risco. Para essa população, as metas de controle da pressão arterial e do LDL-colesterol devem ser mais agressivas para reduzir o risco de eventos cardiovasculares futuros.
O manejo de pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus (DM) e doença arterial coronariana (DAC) estabelecida (evidenciada pela colocação de stent), exige uma abordagem terapêutica agressiva e metas de tratamento rigorosas. Essa população é classificada como de altíssimo risco cardiovascular, e a otimização do controle pressórico e lipídico é fundamental para a prevenção secundária de eventos. As diretrizes atuais, como as da American College of Cardiology/American Heart Association (ACC/AHA), recomendam metas de pressão arterial sistólica abaixo de 130 mmHg e diastólica abaixo de 80 mmHg para a maioria dos pacientes de alto risco. Para o LDL-colesterol, a meta é ainda mais estrita para pacientes com DAC estabelecida, visando níveis abaixo de 70 mg/dL, e em alguns casos, até abaixo de 55 mg/dL, utilizando estatinas de alta intensidade e, se necessário, outras terapias hipolipemiantes. A falha em atingir essas metas, mesmo com a paciente assintomática, indica a necessidade de intensificação do tratamento. Isso pode incluir o ajuste das doses das medicações em uso, a adição de novas classes de anti-hipertensivos ou hipolipemiantes, e o reforço das modificações no estilo de vida, como dieta e exercícios. A abordagem multidisciplinar é essencial para garantir o melhor prognóstico para esses pacientes complexos.
Pacientes com diabetes e doença cardiovascular estabelecida têm um risco significativamente maior de eventos cardiovasculares. Metas pressóricas mais baixas demonstraram reduzir esse risco, prevenindo AVC, infarto e progressão da doença renal.
O controle rigoroso do LDL-colesterol (abaixo de 70 mg/dL, ou até 55 mg/dL em casos selecionados) é crucial para a prevenção secundária em pacientes com doença arterial coronariana, pois reduz a progressão da aterosclerose, o risco de novos eventos isquêmicos e a necessidade de revascularização.
Além dos anti-hipertensivos (IECA/BRA, BCC, diuréticos), são essenciais estatinas de alta intensidade para o controle do LDL-C, antiagregantes plaquetários (como AAS) e, em muitos casos, medicamentos para controle glicêmico com benefícios cardiovasculares (como iSGLT2 ou agonistas de GLP-1).
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