Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Durante o seguimento na Atenção Primária, Dona Lúcia, 67 anos, é acompanhada pela equipe de Saúde da Família. Ela tem diabetes mellitus tipo 2 há 10 anos e hipertensão arterial sistêmica há 12 anos. Faz uso de losartana 50 mg 2x/dia, hidroclorotiazida 25 mg/dia, metformina 850 mg 2x/dia e sinvastatina 20 mg à noite. Refere adesão irregular à dieta e atividade física. Nega tabagismo. Últimos exames e dados clínicos: • PA: 138x84 mmHg: • IMC: 32 kg/m²; • HbA1c: 7,8%; • LDL: 118 mg/dL; • Microalbuminúria: positiva; • Creatinina: 1,0 mg/dL; • CG: sem alterações isquêmicas. Considerando as Diretrizes Brasileiras de HAS e DM (SBC, SBD e Ministério da Saúde) e as recomendações da APS, é INCORRETO afirmar:
DM2 + Microalbuminúria = Alto Risco CV → Meta LDL < 70 mg/dL (SBC/SBD).
Pacientes com DM2 de longa data e lesão de órgão-alvo (microalbuminúria) são classificados como alto risco cardiovascular, exigindo metas de LDL-c mais rigorosas (< 70 mg/dL).
O manejo do paciente diabético na Atenção Primária exige uma visão multifatorial que vai além do controle glicêmico. A estratificação de risco cardiovascular é o pilar para definir a agressividade do tratamento lipídico. Pacientes com DM2 associado a fatores de risco adicionais ou lesão de órgão-alvo (como a microalbuminúria) frequentemente necessitam de estatinas de alta potência para atingir metas de LDL < 70 mg/dL. Além disso, o uso de IECA ou BRA é mandatório na presença de albuminúria para reduzir a pressão intraglomerular e retardar a perda de função renal.
Segundo as diretrizes da SBC e SBD, pacientes diabéticos classificados como de alto risco cardiovascular, como aqueles com microalbuminúria ou doença aterosclerótica subclínica, devem buscar uma meta de LDL-c inferior a 70 mg/dL. Se o risco for considerado muito alto (ex: evento cardiovascular prévio), a meta reduz para < 50 mg/dL. O valor de 130 mg/dL citado na questão é reservado para indivíduos de baixo risco cardiovascular, o que não se aplica a pacientes com DM2 de longa data e complicações renais incipientes.
A presença de microalbuminúria (relação albumina/creatinina urinária entre 30-300 mg/g) é um marcador precoce de nefropatia diabética e um potente preditor de risco cardiovascular. Sua detecção exige a otimização do bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (BRA ou IECA) para nefroproteção e a intensificação do controle lipídico e glicêmico, visando reduzir a progressão da doença renal e a ocorrência de eventos macrovasculares.
A meta de hemoglobina glicada (HbA1c) deve ser individualizada. Para idosos com longa duração da doença, múltiplas comorbidades ou risco aumentado de hipoglicemia, metas menos rigorosas (entre 7,5% e 8,0%) são aceitáveis para evitar eventos adversos graves. No entanto, em idosos hígidos e com boa expectativa de vida, busca-se manter a meta próxima a 7,0% para prevenir complicações microvasculares.
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