UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Mulher, 82 anos de idade, tem diagnóstico de diabetes, hipertensão arterial, hipotiroidismo e artrose de joelhos. Filha refere lapsos de memória eventuais. Faz uso de levotiroxina (75 mcg/dia), losartana (100 mg/dia), hidroclorotiazida (25 mg/dia), gliclazida (60 mg/dia) e insulina NPH (20 UI pela manhã e 16 UI ao deitar). Ganhou 2 kg desde a última consulta. Trouxe controles de PA nos limites da normalidade. Exames laboratoriais: TSH = 5,4 μUI/mL, glicemia de jejum = 84 mg/dL e HbA1c = 5,9%. Qual é a conduta mais apropriada e sua justificativa?
Idoso frágil/comorbidades: metas glicêmicas menos rigorosas (HbA1c < 8%). HbA1c 5,9% + polifarmácia DM → ↓ risco hipoglicemia.
Em pacientes idosos, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades e polifarmácia, as metas glicêmicas devem ser individualizadas e geralmente menos rigorosas para evitar o risco de hipoglicemia, que pode ter consequências graves. Uma HbA1c de 5,9% em uma paciente de 82 anos com DM e uso de insulina e secretagogo indica um controle excessivo, com alto risco de eventos hipoglicêmicos.
O manejo do diabetes mellitus em pacientes idosos é um desafio clínico complexo, exigindo uma abordagem individualizada que considere a idade, o estado funcional, as comorbidades, a expectativa de vida e o risco de hipoglicemia. Diferentemente de adultos jovens, onde o controle glicêmico estrito é prioritário, em idosos a segurança e a qualidade de vida assumem maior relevância. As diretrizes atuais recomendam metas glicêmicas menos rigorosas para idosos frágeis ou com múltiplas comorbidades. Uma HbA1c entre 7,0% e 8,0% é frequentemente aceitável, e valores abaixo de 6,5% podem ser perigosos, aumentando o risco de hipoglicemia. A hipoglicemia em idosos pode ter consequências devastadoras, incluindo quedas, fraturas, eventos cardiovasculares e declínio cognitivo, muitas vezes com sintomas atípicos. Neste cenário, a desprescrição de medicamentos para diabetes, especialmente aqueles com alto risco de hipoglicemia como sulfonilureias (gliclazida) e insulina, torna-se uma conduta apropriada. A revisão da polifarmácia e a simplificação do regime terapêutico são essenciais para otimizar o cuidado, reduzir o risco de eventos adversos e melhorar a adesão, garantindo um tratamento mais seguro e eficaz para o paciente idoso.
Para idosos frágeis ou com múltiplas comorbidades, as metas de HbA1c são geralmente menos rigorosas, variando de <7,5% a <8,0%, para priorizar a segurança e evitar hipoglicemia, em vez de um controle glicêmico estrito.
Em idosos, a hipoglicemia pode levar a quedas, fraturas, eventos cardiovasculares, deterioração cognitiva e hospitalizações, com um impacto significativo na qualidade de vida e mortalidade. Os sintomas de hipoglicemia também podem ser atípicos.
A desprescrição deve ser considerada quando o paciente atinge um controle glicêmico muito rigoroso (ex: HbA1c < 6,5% em idosos frágeis), está em polifarmácia, ou apresenta alto risco de hipoglicemia, visando reduzir a carga medicamentosa e melhorar a segurança.
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