Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
Homem, 59 anos, é encaminhado para atendimento ambulatorial para seguimento de diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia. Refere antecedentes de: tabagismo, etilismo social e infarto do miocárdio com angioplastia primária de coronária direita há 2 anos. Nega sintomas atuais e refere que faz caminhadas diárias de 50 minutos. Visando minimizar o risco cardiovascular desse paciente, assinale a alternativa que compreende as metas de controle glicêmico, lipídico e pressórico.
DM, HAS, dislipidemia + IAM prévio = risco cardiovascular muito alto → HbA1c < 7%, LDL < 50 mg/dl, PA < 130x80 mmHg.
Pacientes com diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia e histórico de infarto agudo do miocárdio (IAM) são classificados como de muito alto risco cardiovascular. As metas de controle glicêmico, lipídico e pressórico devem ser mais rigorosas para minimizar o risco de novos eventos.
O manejo de pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular e doença aterosclerótica estabelecida, como diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e histórico de infarto agudo do miocárdio (IAM) com angioplastia, representa um desafio clínico significativo. Esses indivíduos são classificados como de 'muito alto risco cardiovascular', exigindo uma abordagem terapêutica agressiva e metas de controle mais rigorosas para prevenir novos eventos e melhorar o prognóstico. As diretrizes atuais enfatizam a importância de um controle multifatorial. Para o diabetes mellitus, a meta de hemoglobina glicada (HbA1c) geralmente é < 7,0%, embora possa ser individualizada. No entanto, para pacientes de muito alto risco, um controle mais estrito pode ser benéfico, desde que sem hipoglicemias graves. Em relação à dislipidemia, a meta de LDL-colesterol é particularmente agressiva, frequentemente < 50 mg/dL, exigindo o uso de estatinas de alta potência, e por vezes, a adição de outras classes de hipolipemiantes. Para a hipertensão arterial, a meta de pressão arterial é tipicamente < 130 x 80 mmHg, visando reduzir a sobrecarga cardíaca e vascular. A fisiopatologia subjacente envolve a progressão da aterosclerose acelerada pelos fatores de risco não controlados. O tratamento visa estabilizar as placas ateroscleróticas, reduzir a inflamação e otimizar a função endotelial. A adesão a essas metas rigorosas, juntamente com modificações no estilo de vida (cessação do tabagismo, atividade física regular, dieta saudável), é crucial para minimizar o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e morte cardiovascular. Residentes devem estar familiarizados com essas metas para oferecer o melhor cuidado a essa população vulnerável.
Pacientes de muito alto risco cardiovascular incluem aqueles com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida (como IAM prévio, AVC, DAOP), diabetes mellitus com lesão de órgão-alvo ou múltiplos fatores de risco, doença renal crônica grave, ou hipercolesterolemia familiar grave.
As metas de LDL-C são muito baixas (ex: < 50 mg/dL) para pacientes com IAM prévio porque a redução agressiva do LDL-C demonstrou diminuir significativamente o risco de eventos cardiovasculares recorrentes. A estabilização da placa aterosclerótica e a redução da inflamação são cruciais nessa população de alto risco.
O controle rigoroso da pressão arterial é fundamental em pacientes diabéticos com IAM prévio, pois a hipertensão é um fator de risco major para novos eventos cardiovasculares e progressão da doença renal. A meta de PA < 130x80 mmHg visa reduzir a carga sobre o sistema cardiovascular e proteger órgãos-alvo.
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