PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Mulher asiática de 52 anos possui queixas crônicas de dor ou desconforto epigástrico pós-prandial e distensão abdominal. Os sintomas acontecem pelo menos 3 vezes por semana e pioram com o estresse. Há 6 meses está em uso de Esomeprazol 40mg ao dia e domperidona 10mg antes de cada refeição com melhora parcial. A paciente nega tratamento prévio para H. pylori. Nega sintomas de alarme e não possui histórico familiar de neoplasias. A paciente realizou endoscopia digestiva alta que identificou gastrite erosiva plana moderada de antro, sendo realizadas biópsias de corpo, antro e incisura angular. Apenas as biópsias de antro mostraram gastrite crônica, com metaplasia intestinal incompleta, leve atrofia e pesquisa histológica de H. pylori negativa.Frente a este quadro é CORRETO afirmar:I. Seu risco de câncer gástrico seria menor caso suas biópsias gástricas tivessem mostrado metaplasia intestinal completa.II. Esta paciente deve repetir a endoscopia digestiva alta em 6 meses a 1 ano como forma de rastreio de câncer gástrico.III. Caso a paciente realize sorologia para H. pylori e esta venha positiva, deve-se seguir com tratamento específico para H. pylori.IV. Deve-se considerar a associação de aspirina ou inibidor da COX2 como forma de quimioprevenção de câncer gástrico devido à forte evidência desta modalidade em asiáticos com metaplasia intestinal gástrica.
Metaplasia intestinal incompleta > risco câncer gástrico que completa; H. pylori sorologia positiva → tratar mesmo com biópsia negativa.
A metaplasia intestinal incompleta confere maior risco de câncer gástrico do que a completa. Além disso, a sorologia positiva para H. pylori, mesmo com biópsia negativa (que pode ter falso-negativo), indica infecção e necessidade de tratamento.
A metaplasia intestinal gástrica é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio gástrico por epitélio intestinal. É um passo importante na cascata de Correa, que descreve a progressão de gastrite crônica para atrofia, metaplasia, displasia e, finalmente, adenocarcinoma gástrico. A distinção entre metaplasia intestinal completa e incompleta é crucial, pois a incompleta, que se assemelha mais ao intestino grosso e expressa mucinas anormais, confere um risco significativamente maior de progressão para câncer gástrico. O diagnóstico de H. pylori é fundamental no manejo da gastrite crônica e metaplasia. Embora a biópsia seja um método comum, ela pode ter falsos negativos. A sorologia, se positiva em paciente sem tratamento prévio, indica exposição e deve ser valorizada, levando ao tratamento para erradicar a bactéria, que é um fator etiológico primário na cascata de Correa. A erradicação pode estabilizar ou até regredir a metaplasia em alguns casos, reduzindo o risco de câncer. O rastreio endoscópico e a quimioprevenção são temas de debate. A repetição da endoscopia depende do perfil de risco do paciente. Em relação à quimioprevenção com aspirina ou inibidores da COX-2, embora haja estudos promissores, especialmente em populações de alto risco como asiáticos, não é uma recomendação padrão universalmente aceita para todos os pacientes com metaplasia intestinal devido aos potenciais efeitos adversos e à necessidade de mais evidências robustas.
A metaplasia intestinal incompleta é considerada um fator de risco maior para o desenvolvimento de câncer gástrico em comparação com a metaplasia intestinal completa, devido a características histopatológicas específicas.
Se a sorologia para H. pylori é positiva e o paciente não teve tratamento prévio, o tratamento deve ser considerado mesmo com biópsia negativa, pois a biópsia pode apresentar falsos negativos devido à distribuição irregular da bactéria ou uso de IBP.
A frequência de rastreio endoscópico em pacientes com metaplasia intestinal depende de fatores de risco adicionais, como extensão da metaplasia, atrofia, histórico familiar e etnia, sendo geralmente recomendada a cada 3-5 anos, mas pode ser mais frequente em casos de alto risco.
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