Metabolismo no Jejum: Cetogênese e Nutrição Cirúrgica

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

O entendimento do metabolismo é fundamental em clínica cirúrgica, pois influencia diretamente nos cuidados para um tratamento adequado ao paciente. Sobre metabolismo cirúrgico, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Enquanto a glicólise quebra a molécula de glicose em piruvato, a gliconeogênese quebra a molécula de glicogênio em glicose.
  2. B) O tecido adiposo marrom é um tecido termogênico, pobre em mitocôndrias desacopladas e concentra-se principalmente em abdome e quadril em homens e mulheres.
  3. C) Pacientes com albumina menor que 2,0 devem ter avaliação nutricional pré-operatória.
  4. D) O jejum prolongado pode esgotar as fontes de energia e o cérebro pode se utilizar de corpos cetônicos (cetogenese) para obtenção de energia.
  5. E) A amônia resultante da decomposição dos aminoácidos é convertida em ureia pelo rim para ser excretada, evitando a uremia tóxica ao organismo.

Pérola Clínica

Jejum prolongado → esgotamento de glicogênio → fígado produz corpos cetônicos para nutrir o cérebro.

Resumo-Chave

Em estados de jejum prolongado ou estresse cirúrgico, o cérebro, primariamente dependente de glicose, adapta-se para utilizar corpos cetônicos. Este mecanismo, derivado da oxidação de ácidos graxos no fígado, é uma via energética vital para a sobrevivência neuronal.

Contexto Educacional

O metabolismo cirúrgico descreve a resposta endócrino-metabólica do corpo ao estresse do trauma e da cirurgia. Essa resposta é caracterizada por um intenso catabolismo, com mobilização de substratos energéticos para suportar a cicatrização e a resposta imune. Entender essas vias é crucial para o manejo nutricional e clínico do paciente cirúrgico. Durante o jejum prolongado, o corpo passa por adaptações sequenciais. Inicialmente, utiliza as reservas de glicogênio hepático (glicogenólise). Após o esgotamento (12-24h), a gliconeogênese (produção de glicose a partir de aminoácidos, lactato e glicerol) torna-se a principal fonte. Com a persistência do jejum, a lipólise é ativada, e o fígado começa a produzir corpos cetônicos a partir de ácidos graxos. Esses corpos cetônicos (acetoacetato e beta-hidroxibutirato) atravessam a barreira hematoencefálica e servem como um combustível alternativo vital para o cérebro, poupando a proteína muscular que seria usada na gliconeogênese. Na prática clínica, a avaliação do estado nutricional pré-operatório é fundamental. Marcadores como a albumina sérica, embora influenciados pela inflamação, ajudam a identificar pacientes em risco. A terapia nutricional adequada no perioperatório pode mitigar o catabolismo, melhorar a cicatrização e reduzir as complicações, sendo um pilar no cuidado do paciente cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Quando o cérebro começa a usar corpos cetônicos no jejum?

O cérebro começa a adaptar-se ao uso de corpos cetônicos após 2 a 3 dias de jejum, quando as reservas de glicogênio se esgotam e a gliconeogênese não consegue suprir toda a demanda, tornando-se uma fonte principal de energia após períodos mais longos.

Qual o papel do fígado na conversão de amônia?

O fígado é o órgão central do ciclo da ureia, onde a amônia, um produto tóxico do metabolismo de aminoácidos, é convertida em ureia, uma substância menos tóxica que é subsequentemente excretada pelos rins.

Como a albumina baixa impacta o paciente cirúrgico?

A hipoalbuminemia (albumina < 3,5 g/dL) é um marcador de desnutrição e inflamação, associada a um maior risco de complicações pós-operatórias como infecções, deiscência de anastomose e cicatrização deficiente.

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